A voz rouca de Gilson Pelizaro (PT) tem sido uma das poucas a fazer oposição ao prefeito Sidnei Rocha (PSDB), em tempos de predomínio da bancada da situação na Câmara Municipal. Todas as terças, o petista esbraveja, gesticula, grita e se orgulha em dizer, quase em tom de comemoração: “Sou oposição declarada!”. Mas, quando o fino microfone da tribuna não está a frente de Pelizaro, a atitude muda. A ferocidade nos discursos dá lugar a pura diplomacia.
Pelizaro, muitas vezes, desce da tribuna com suor pelo rosto, tamanho o desgaste que sua “indignação” lhe traz. Geralmente, quando esse é o caso, ele se dirige até sua mesa, recupera o fôlego, usa um “lencinho” para enxugar a testa úmida. Pronto. O petista passa a circular pelo plenário, sorrisos tomam o semblante fechado de há pouco, como se a indignação houvesse evaporado ou sido absorvida, e os ataques proferidos na tribuna dão lugar a “tapinhas” nas costas dos mesmos atacados.
Há quem diga que a diplomacia prejudica a combatividade do petista. Há quem ache que Pelizaro não é o mesmo de outros mandatos, quando já foi mais ativo. Ele discorda. “A diplomacia é uma virtude. Não acho que o partido de um colega incompatibilize uma amizade”, diz.
O vereador parece ser adepto da filosofia do dramaturgo inglês William Shakespeare, que afirmava: “É mais fácil obter o que se deseja com um sorriso do que com a ponta da espada”. Mas, na Câmara, a licença poética de Shakespeare não comove. Pelo contrário, é difícil saber o que se esconde por trás dos sorrisos de qualquer vereador. E Pelizaro, com certeza, sabe bem disso.
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