Anjos voluntários, anjos solidários


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Metade anjos, metade humanos. Assim podemos considerar todos aqueles que se engajam em campanhas arrojadas que buscam viabilizar melhorias à coletividade, vítima esta, da inércia de um Poder Público cambaleante que sobrevive de poses e discursos preparados em gabinetes com o objetivo único de impressionar, sem oferecer resultados satisfatórios. Enquanto isto, nossos “anjos-humanos” partem para a prática e desbravam caminhos, rompendo obstáculos, provando ser possível contribuir de modo brilhante com apenas quatro simples ingredientes: amor ao próximo, tempo, trabalho e criatividade. Óbvio que a máquina fria governamental não se comove, tampouco sofre com as mazelas da sociedade que agoniza em segmentos vitais como o da saúde e da assistência ao social, dando-nos a sensação que após a chegada ao “poder provisório e alternante” é estar sempre às margens, correndo em círculos, se cansando e não chegando a lugar algum; mas no momento, vamos deixar de lado este frio aspecto estatal dando somente espaço e importância ao que realmente merece destaque neste espaço em que se discorre a letra. Imaginemos dois batalhões angelicais... O primeiro deles (batalhão voluntário - que elabora e traça a logística) se lança à frente da batalha, combatendo bravamente frente a frente com inimigo - olhos nos olhos, com o único objetivo em tentar varrer ou retardar um sofrimento que assola e tornam reféns vidas preciosas, quando o ‘câncer’ escolhe a cada dia novas vítimas para desenvolver-se tentando privá-las de nosso convívio. O segundo (batalhão solidário - aquele que dá sustentação financeira), tão importante quanto o primeiro, atua grandiosamente dando a devida retaguarda aos destemidos guerreiros (voluntários) que à frente avançam, cobrindo seus flancos à esquerda e à direita num combate doloroso onde lágrimas e corações contritos correm contra o tempo -fechando um elo de ajuda mútua no combate a doença, que não avisa como, nem quando e nem a quem de nós acometerá. Acredito que muitos puderam notar a alegria contagiante que uma campanha resultante da soma de voluntários/solidários, que num grande movimento comprometido com a causa sempre demonstram a lucidez de uma sociedade civil organizada que entende e cumpre o seu papel social, se tornando uma benéfica estratégia de combate à doença. Numa cidade como a nossa, atitudes de ajuda ao próximo resgatam o saudoso sentimento fraternal, genoroso-inocente que os mais experientes vivenciavam num passado não muito distante; quando hoje a vaidade, e uma espécie de orgulho corrompido, nos aproximam da competitividade raivosa e do consumismo sem limites que, certamente, justificaria a escuridão da cegueira em que muitos, infelizmente, estão mergulhados e alheios à dura realidade que sorrateiramente nos afronta. Aos nossos “anjos” na luta contra o câncer - força e coragem na aguerrida caminhada onde são sabedores, que muitos dependem do sucesso das campanhas para continuarem usufruindo a maior dádiva que é a vida. Às mulheres e homens que lutam abnegadamente na construção de projetos sociais de suas entidades, e àqueles que dão o suporte financeiro à nobre iniciativa - a justa reverência e reconhecimento neste precioso espaço, pois proporcionam com suas obras uma vida melhor a cidadãos pelo o amparo-humano que oferecem incondicionalmente. Que a cada novo dia, novos “mestiços” (anjos-humanos) se descubram e somem suas forças com as valentes e nobres fileiras dos voluntários ou dos solidários, que acredito ser uma maneira diferenciada de enxergar o mundo, como disse Laurence Durrel: ‘Somos frutos da paisagem em que vivemos; ela dita nosso comportamento e até nossos pensamentos, na medida em que reagimos a ela’. RICARDO VERISSIMO JR. é servidor público, bacharel em Teologia e membro do Conselho de Leitores do Comércio da Franca

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