A Copa do Mundo mobiliza pessoas e também divide corações. Para quem mora no Brasil mas tem origem em outro país, a situação se complica, principalmente, se o adversário da seleção brasileira for justamente o time da sua nação.
Hoje o Brasil enfrenta o Japão, ainda na primeira fase do Mundial, e qualquer que seja o resultado, o descendente de japonês Shigueo Kudo, 55, garante que ficará satisfeito. Ele é presidente da Associação Nipo-Brasileira de Franca e diz que se fosse uma final, seu coração ficaria dividido, mas como falta um tempo para a decisão, o resultado do jogo não fará diferença. A mãe e os irmãos moram no Japão, mas vão torcer pelo Brasil, garante. Ele acha que sua família torce bem mais pelo técnico da seleção do país, o brasileiro Zico, do que propriamente pelo time.
O inglês Stephen Brackman, 48, está no Brasil há três anos e meio. Empresário, é casado com uma brasileira e tem um filho, Thomas Lemos Brackman, 7, que nasceu na Inglaterra. Apaixonado pela seleção brasileira, mas um inglês nato torcedor do Warford, ele acredita que os ingleses não chegarão às finais na Copa; mas se isso acontecer e for contra a seleção brasileira, vai ser difícil torcer. “Por enquanto, meu coração está tranqüilo, mas se a Inglaterra vencer uma final, terei que trancar as portas e contratar um segurança”, brinca. Os pais e irmãos de Stephen moram em Londres e caso a seleção inglesa deixe a competição antes da final, “todos vão torcer pelo Brasil”.
O autônomo Ernesto Luís Vittori, 62, e a filha, a professora Gabriela Lorena Vittori, 31, estarão na torcida pelo Brasil hoje, no último jogo da primeira fase. Mas a partir das próximas etapas, a situação pode mudar. Argentinos, eles não abandonarão a seleção arqui-rival em um possível encontro com os brasileiros. “Tenho medo desse encontro, mas terei que torcer para a Argentina”, provoca. Enquanto esse jogo não acontece, a família mostra nos braços, através de duas pulseiras, uma de cada nação, a paixão pelos dois países.
O estudante Luca de Oliveira Biondani, 14, e a irmã Laura, 9, estão com os corações literalmente divididos. São filhos de um italiano e uma brasileira. Ex-moradores de Verona, no norte da Itália, não escondem a emoção quando a seleção daquele país entra em campo.
Esperançosos com a classificação dos italianos para as oitavas, temem um confronto com o Brasil.
Para classificar a Itália, torço até contra a seleção brasileira”, diz. Sobre a final da Copa, o jovem, que aqui torce pelo Palmeiras e na Itália pelo Juventus, faz uma previsão: “A final não terá Brasil nem Itália, mas sim a Argentina”.
Colaborou Renata Modesto
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