Componentes para calçados vindos da China gerando empregos em Franca. Pode parecer estranho, mas é exatamente isso que vem ocorrendo por intermédio de Renato Raymundo, dono da Stick Fran, indústria da cidade. O empresário traz do Oriente componentes semi-acabados, os finaliza por aqui e, desde o início do ano, esse “negócio da China” já propiciou um aumento de 66% em seu quadro de funcionários e o custo dos produtos caiu pela metade.
Se para a maioria dos empresários de Franca a concorrência chinesa representa um fantasma, para Renato o caso é diferente. Ele viu no mercado chinês uma alternativa para lucrar e garante que sem perder qualidade. “Sempre participo de feiras e, em uma delas, há quatro anos, tive contato com fornecedores de lá que me propuseram a importação”, disse. Desde então, as negociações para trazer zíperes, velcro e forros internos para calçados, todos semi-acabados, começaram. A China era uma alternativa, segundo Renato, às multinacionais de matéria-prima que dominam o mercado brasileiro. “Tudo favorece. Além de oferecer um produto mais barato, negociar com os chineses é mais fácil”.
Depois de longas conversas, desde fevereiro de 2005, Renato importa diretamente do Oriente a matéria-prima semi-acabada e a finaliza em Franca. Somente em 2006, 20 novos postos de trabalho foram gerados. “Possuía 30 empregados e hoje são 50. É geração de empregos aqui na cidade”, diz. A redução do preço do produto final também é significativa. “Hoje comercializo meus produtos com cerca de 50% de redução no preço. É competitividade pra mim e também para os produtores de calçados que compram os componentes.”
PARA CONFERIR
Em maio deste ano, Renato foi à China conferir a qualidade dos produtos que importa. Apesar de possuir um escritório com dez funcionários no país, para cuidar desse aspecto e também para administrar o embarque dos produtos em direção ao porto de Santos, o empresário preferiu ver com seus próprios olhos a fabricação do que adquire. “Pude comprovar que tudo é feito dentro das normas internacionais de qualidade. Acompanhei cada parte do processo, desde a fábrica até o porto”, disse.
Do porto de Xangai, os componentes chegam ao litoral paulista e depois são trazidos para o Porto Seco de Franca, mantido pela Receita Federal. “Mais uma vantagem é essa. Assim, recolhemos impostos aqui no município”, diz Renato. Depois de finalizados na Stick Fran, os produtos ganham os mais importantes pólos calçadistas do Brasil. “Jaú, Birigüi, Nova Serrana. Goiânia, Rio Grande do Sul, Nordeste. E, ainda neste ano, temos a intenção de começar a exportar”, comemora Renato Raymundo.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.