Paixão pelo flamenco


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Anderson Souza, de 27 anos, mineiro de Piumhi e residente em Franca há 12 anos, é o dileto representante, na cidade, da dança flamenca. Ao som de Clandestino, do franco-mexicano Manu Chao, o rapaz, que há três meses está à frente do Andaluz Studio Flamenco, contou à reportagem do Comércio as particularidades fascinantes da cultura flamenca. “Infelizmente, há quem não conheça a música, tampouco a dança flamenca, aqui mesmo em Franca”, lamenta. Assim, grosso modo, para quem ainda não conhece: segundo a obra Les Chants du Monde, o flamenco é uma mistura de culturas, raças, cores, religiões, classes e costumes que eclode em dança e música populares na Espanha, com um forte apelo emocional que relata a condição humana de vida dos povos que o formaram. Para encarar o desafio de ensinar uma das danças mais passionais e impressionantes que há, Anderson traz ampla bagagem de conhecimento da Espanha, afinal, o berço da arte flamenca, com cursos em Barcelona e Sevilha. “As origens do flamenco estão na Andaluzia, região sul da Espanha. Em Barcelona, na Catalunha, região norte, há muitas casas de andaluzes que ensinam flamenco, onde tive aulas. Depois fui até Sevilha, queria conhecer o flamenco mais cigano e poder entrar numa linha mais contemporânea. Também passei um ano e meio em Belo Horizonte, no Brasil, um centro importante de difusão desse ritmo”, conta ele. “Entenda-se por contemporâneo o bailado enlouquecedor e passional de um Joachin Cortés?”, pergunta a reportagem. Anderson sorri e diz que Cortés é o máximo do contemporâneo. “Ele faz uma fusão do balé clássico, da dança contemporânea e do flamenco. É um trabalho diferente”, rebate. “Na verdade, o flamenco conta com mais de 20 ritmos diferentes, de origens e interpretações diversas. Por exemplo, o ritmo “alegrías” é um “cante” mais festeiro, oriundo da região de Cádiz, no Gibraltar, perto do Marrocos. Os ritmos mais comuns são as “bulerias”. As “sevillanas e seguidillas” são extremamente populares, todos dançam. De qualquer modo, todos eles têm uma razão histórica e cultural de ser. As origens do flamenco cigano estão com os nômades, gitanos mesmo, do Paquistão, há mais de 500 anos”, ensina ele. Envolvido no assunto, Anderson Souza tem autoridade bastante para afirmar que Cristina Hoyos e Antonio Gades, que protagonizaram o filme Carmen, baseado na obra de Bizet e dirigido por Carlos Saura, são ainda as grandes referências do flamenco tradicional. No contemporâneo, Eva Hierbabuena e Antonio Canales são dois nomes muito conhecidos do flamenco que ele cita. O flamenco que Anderson apresenta aos seus alunos busca essas raízes. “Procuro dar bastante técnica de sapateado, com uma entrada no contemporâneo. Não é fácil, requer estudo e perseverança. Mas é uma dança democrática, não requer nenhum pré-requisito quanto a tipo físico ou idade, por exemplo. Qualquer pessoa pode dançar flamenco. Basta querer.” Ele diz que essa arte é estudo para a vida toda, por isso, tenta se aperfeiçoar na percussão flamenca para sintonizar com a sua “melhor batida” - esta sempre muito própria de cada um -, mas quando se apresenta em público, tem o acompanhamento do violonista Breno Lopes e do percussionista Alexandre Reis. SAPATOS Arrojado, o Studio já se prepara para oferecer aulas de sapateado americano e dança contemporânea. Ensaia, para o mês de setembro, o show Sapatos, da Companhia de Dança Andaluzes, a ser apresentado em quatro sessões no Teatro Municipal de Franca. De acordo com o bailarino e diretor do espetáculo, que, aliás, já assinou outras duas produções (Fragmentos Flamencos e El Baile), o enredo dessa apresentação se desenrola numa fábrica de calçados. “Será uma produção grande. Teremos profissionais de fora, algo em torno de 18 pessoas cantando e dançando sobre o tablado. Viajaremos depois com esse espetáculo. A idéia é comparecer em todas as capitais e em todos os centros produtores de calçados”, projeta. E já que se tocou no assunto sapato, uma curiosidade: de acordo com Anderson, Franca não produz calçados apropriados para o flamenco. “Na dança flamenca, os sapatos são instrumentos musicais. Precisam ser resistentes, com saltos mais altos, com tachinhas pregadas nesses saltos e no bico, para que se produza o som dos passos. Temos que pedir desses sapatos em São Paulo, para os alunos. Eu uso um par que trouxe da Espanha. Os sapatos são muito importantes nessa dança, tanto quanto a guitarra, as palmas, as castanholas e a expressão facial. A indumentária vai de acordo com o ritmo escolhido.” SERVIÇOS O Andaluz Studio Flamenco fica na Rua Couto Magalhães, 2.092. As mensalidades, para aulas duas vezes por semana, são de R$ 65. Informações pelo telefone 3701-9082.

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