Vereadores mudam de idéia e mantêm restrição a parentes


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A Câmara Municipal rejeitou ontem o projeto que permitia a manutenção de parentes em seus cargos comissionados na administração municipal. Surpreendente e contraditoriamente, nove vereadores da bancada governista, que assinavam como autores da proposta, renegaram suas assinaturas e rejeitaram em plenário a medida. Valter Gomes (PSB), autor da Lei contra o nepotismo, fez um discurso inflamado. “Não entrem em um barco furado. Valorizem seus mandatos”, apelou. Luiz Carlos Fernandes (PDT), Jepy Pereira (PSDB), Rui Engrácia (PSDB), Marcelo Mambrini (PMN), Donizete da Farmácia (PMN), Nirley de Souza (PSC), Marcelo Caleiro (PMDB), Zezinho Cabeleireiro (PTB) e Bahia (PDT), autores coletivos, não tiveram dificuldade em mudar de idéia. O mais relutante em rejeitar a proposta foi Jepy. Antes de contradizer declarações dadas à reportagem do Comércio na tarde de segunda-feira, nas quais afirmava ser a favor do projeto, o tucano discursou. “Os colegas precisam ter coerência”, disse, conclamando quem autografou a proposta a aprová-la. Minutos depois, ele mesmo fez soar em alto e bom som seu parecer: “Não! Luiz Carlos Fernandes fez a mea culpa. “Aqui ninguém é perfeito. (...) Não tenho vergonha de dizer que mudei de opinião”. O presidente da Casa, Marcelo Mambrini (PMN) disse, na tribuna, que assinou a proposta para poder assistir à discussão. “Diante dos pronunciamentos fui convencido a rejeitar o projeto”. Minutos antes, a história era outra. Mambrini dissera à reportagem que havia assinado, assim como o colega Zezinho Cabeleireiro, o texto sem ler. “Imaginei que fosse um pedido de tramitação em regime de urgência”, disse. Gilson Pelizaro (PT), diante do tom das palavras dos colegas, mesmo antes da votação, previu qual seria o destino da jogada política e ironizou com a própria origem dela. “Um projeto vindo do além que será mandado de volta para o além”, disse o petista, já em tom de comemoração. Previsão confirmada. Catorze votos a zero decretaram a manutenção da Lei que destitui de seus cargos no mínimo quatro membros do governo Sidnei Rocha (PSDB), a partir de 9 de julho. Entre eles, a secretária de Desenvolvimento Humano e Ação Social, Maria Ignês Archetti, mulher do vice-prefeito Ary Balieiro (PTB), e David Batista Neto, chefe do Setor de Atendimento da Secretaria de Saúde e irmão da vereadora Graciela Ambrósio (PDT). “Os vereadores sentiram o quanto essa medida desagradaria a população e voltaram atrás. Assim, o objetivo principal, que é o da moralização, será atingido e isso é a grande conquista sacramentada hoje”, disse Valter Gomes.

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