‘Médicos têm medo de trabalhar no PS’, diz secretário da Saúde


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As reclamações da população sobre o atendimento nos prontos-socorros “Dr. Janjão” e Infantil têm se intensificado. O tempo de espera tem sido superior a duas horas em quase todos os dias da semana. As ligações para a redação do Comércio da Franca têm sido diárias e feitas várias vezes ao dia, em especial no período noturno. Os pacientes também reclamam de mau atendimento e de falta de remédios. Equipes de fotógrafos e repórteres foram várias vezes às duas unidades ao longo da semana passada e constataram: o tempo de espera, para um local de atendimento emergencial, é descabida. Em alguns casos ela ultrapassa as quatro horas. Os funcionários reclamam de falta de condições de trabalho e quadro reduzido para atender à demanda. Numa carta enviada à redação, uma médica detalha como tem sido a rotina no atendimento (veja texto nesta página). O secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, reconhece os problemas, mas apresenta uma justificativa no mínimo curiosa para explicar porque o quadro dos PSs é reduzido. Segundo ele, os médicos não querem trabalhar nos prontos-socorros por temerem a pressão dos usuários e da imprensa, que cobram por melhor atendimento. “Ninguém quer pegar (o cargo) porque os médicos trabalham pressionados. Estão apavorados. A família (dos pacientes) xinga um pouco, o jornal e a rádio falam. Está todo mundo com medo”, disse, em clara referência às denúncias que o Comércio da Franca e a rádio Difusora AM têm trazido à tona. ROTINA Ontem, segunda-feira, a doméstica Maria Cláudia de Oliveira, 25, não se conformava com a morosidade do “Janjão”. “Só tem dois ou três médicos para atender todo mundo. Aqui, nunca se espera menos de duas horas”, disse. O atendimento dado pelos médicos é outro constante alvo de reclamações. “Grosso e mal-educado”. Desta maneira, o cobrador de ônibus Fernando Fernandes, 29, definiu o médico que o atendeu no domingo. “Só benzia e pronto. Quando chegou minha vez, prestou tanta atenção em mim que receitou o mesmo remédio que eu disse a ele que não estava funcionando”, disse. Outro problema é a falta de remédios para a população carente. “Conseguia Dipirona, agora nem isso. O único remédio que sempre tem no NGA é lombrigueiro”, disse a auxiliar comercial Naira Cristina dos Santos, 24.

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