Vereadores tentam manter a parentada na prefeitura


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A bancada do governo pode concretizar hoje uma jogada política que pretende burlar a lei contra o nepotismo. A medida, se aprovada, evitará que parentes do prefeito, vice-prefeito, vereadores e de membros do primeiro escalão do governo tenham que deixar seus cargos na administração municipal. A lei em vigor, de autoria do vereador Valter Gomes (PSB) e aprovada por unanimidade, tem uma pretensão simples: acabar com os cabides de emprego. Na época da aprovação unânime, os discursos convergiram para a moralidade e nenhum vereador fez objeção à idéia. Passados menos de dois meses, a unanimidade se dissolveu. O nepotismo até deve ser combatido, mas no futuro. Por enquanto, no governo Sidnei Rocha (PSDB), tudo pode ficar como sempre esteve. Para a evitar o desgaste que a mudança de opinião deve causar nos eleitores, a proposta foi assinada coletivamente. O texto subscrito por nove vereadores foi redigido pelo diretor-geral da Câmara, Afonso Teodoro de Souza Filho, a pedido de três deles. Afonso não revela quem teria encomendado a manobra e nenhum dos nove co-autores do projeto (veja fotos), todos componentes da bancada governista, admite ter procurado o funcionário. Mesmo com tanto mistério, nos bastidores as evidências levam a crer que a idéia de mutilar a lei tenha surgido nos meandros do paço municipal. Luiz Carlos Fernandes (PDT) admitiu ter sido convencido a compactuar com manobra pelo secretário de Administração e Recursos Humanos, Jerônimo Sérgio Pinto. Quando perguntado sobre vínculos da prefeitura com alguns vereadores para elaborar o projeto, o líder do governo na Casa, Jepy Pereira (PSDB), não os desmentiu. Apenas disse não tê-los intermediado. “Não fui eu quem fez a ponte.” O prefeito Sidnei Rocha prefere o silêncio. Desde o dia 13 de junho, a reportagem vem tentando ouvi-lo a respeito do assunto, mas a informação da Divisão de Comunicação da prefeitura é de que Sidnei não falará. Ontem, mais uma vez, essa foi a resposta da Divisão. ‘SACANAGEM’ Valter Gomes promete lutar para impedir a descaracterização da lei de sua autoria. “A argumentação do projeto é furada. É inadmissível, no século 21, qualquer defesa de uma prática atrasada como é o nepotismo”, disse. O vereador promete um discurso inflamado em defesa da regra que “dá transparência à cidade”. “Sem levar o assunto para o lado pessoal, vou mostrar aos colegas que o enfrentamento político em torno de um tema como esse pode se transformar em um tiro pela culatra.” Valter tem o apoio da população. “É sacanagem (a alteração)”, disse a bancária Sthefane Torres. “O Brasil precisa de clareza, de atitudes. A população quer seriedade”, emendou a vendedora Simone Goulart. “A manutenção do nepotismo é um absurdo”, disse Marcelo Porto, advogado.

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