Todos nós paulistas passamos por momentos angustiantes recentemente devido às rebeliões de presos em São Paulo e em várias cidades no interior do Estado. Foram inadmissíveis atos de terrorismo que ceifaram a vida de inúmeros cidadãos e servidores públicos.
Quem trabalha no setor de saúde, particularmente na área de trauma e urgências, tem consciência de que há anos enfrentamos uma epidemia de violência no Brasil. Nossos pronto-socorros vivem recebendo vítimas de armas de fogo, de desastres automobilísticos e de violências de todos os tipos. Trata-se de um problema gravíssimo, especialmente nas regiões da periferia.
A novidade trágica da ação do PCC (Primeiro Comando da Capital) foi que a violência chegou muito perto de cada um de nós. Mudou nossa rotina, causou pânico, gerou uma terrível sensação de insegurança. De repente, a comunidade inteira ficou fora de controle, nossas certezas se diluíram e percebemos que somos extremamente vulneráveis.
Causa indignação lembrar que muitos pais de família responsáveis pela proteção da sociedade tombaram, covardemente assassinados. O que não justifica, sob hipótese alguma, uma eventual política de olho por olho, dente por dente. A suspeita de que inúmeras execuções podem ter ocorrido deve ser esclarecida rapidamente e, caso se confirme, os culpados têm de ser punidos.
O panorama sombrio do Brasil atual é preocupante. É fato que não temos exclusividade no quesito insegurança. Violência e guerra infelizmente tomam conta de inúmeros países e continentes hoje.
Muito tem se debatido no mundo todo a respeito desse problema. Ouso dizer que todos somos parcialmente responsáveis. Precisamos nos envolver mais do que temos feito até agora. Necessitamos de mais atitude.
Vivemos uma situação equiparável a uma guerra civil. Portanto, é imprescindível ação e união. Nossos índices de solidariedade ainda são muito tímidos, se comparados com muitos outros países que conseguiram melhorar a condição de vida de seus cidadãos.
Podemos nos dedicar mais a ações sociais, ao voluntariado. Também é mister cobrar os gestores e exigir sensibilidade com a área social. Precisamos urgentemente de mais investimentos em educação e, portanto, em escola e nos professores; em saúde, nas suas estruturas, nos médicos e demais agentes; nos profissionais da área de segurança inteligente, em aparatos modernos e na valorização dos policiais.
Sempre é bom lembrar que os bons exemplos têm de vir de cima. Então, é hora de exigir seriedade, responsabilidade, ética e compromisso dos nossos governantes. Mãos à obra e que Deus nos ajude para que possamos deixar um país muito melhor e mais solidário aos nossos filhos.
JORGE C. M. CURI é presidente da Associação Paulista de Medicina
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