A seleção brasileira nos oferece uma grande interrogação. O jogo seria absolutamente normal, com o Brasil francamente favorito, se problemas extra-campo não aparecessem. Tenho repetido várias vezes que, pela qualidade individual dos seus jogadores e por tantas outras coisas já enumeradas, a equipe de Parreira deveria ganhar a Copa. Mas o futebol é imponderável e por isso deve atrair tanto a atenção do mundo inteiro. Diferente de outros esportes, quando normalmente o mais forte vence o mais fraco, o favoritíssimo no futebol, às vezes, se torna presa do adversário e provoca zebras sensacionais.
A tontura de Ronaldo, que, dentro das proporções, nos leva às tristes lembranças de 98, pode desestabilizar o grupo. Mesmo não jogando bem nas últimas partidas, aparentemente acima do peso e longe daquela categoria que todos aplaudiram, Ronaldo é um líder nato, é muito querido pelos companheiros e qualquer coisa que aconteça com ele terá conseqüências imprevisíveis.
Parreira deve estar numa sinuca de bico. Ele não deixa de ter suas razões para dizer antecipadamente que Ronaldo estava escalado para o jogo contra a Austrália, mesmo tendo atuação abaixo da crítica em Berlim. O técnico entende que somente com a continuidade das atividades, Ronaldo melhorará o seu condicionamento e chegará à plena forma.
Mas há quem entenda que, por ser a Copa uma competição de tiro curto, quem deve ser escalado é justamente quem está nas suas melhores condições físicas e atléticas. Ainda mais o atacante Ronaldo, que precisa estar fisicamente a ponto de bala para desenvolver o seu jogo com a competência de quem se sagrou duas vezes o melhor do mundo.
O próprio treinador, com suas razões que devem ser respeitadas, sabe que se não der certo a insistência com Ronaldo, a batata pode assar no seu colo. E, como já dissemos recentemente, ele não hesitará em sacar o Fenômeno. Como fez com o então capitão Raí, que em 94 por ter jogado mal a primeira partida daquela Copa contra a Suécia, foi sacado e perdeu a condição de titular para Mazinho.
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