A Prefeitura de Franca não está cumprindo a determinação judicial que a obriga a fornecer remédios e exames gratuitamente à população carente. Na farmácia do NGA-16, na sexta-feira, muitos dos pacientes saíram com as mãos vazias do local. De dez entrevistados, seis não encontraram os remédios, dois conseguiram apenas parte do que precisavam e apenas dois retiraram o receituário completo. O secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, não foi encontrado para falar sobre o assunto em seu gabinete e pelo telefone celular.
Depois de ser atendida no PS “Janjão”, a dona de casa Daniela Cristina Silva foi ao NGA em seguida para buscar quatro medicamentos, mas só encontrou um. Justamente o mais barato. Saiu de lá decepcionada. “Só tem Dipirona aqui. Os remédios que a gente não tem condições de comprar na farmácia nunca são encontrados”, disse.
O aposentado Benedito Pedro Silva precisava de remédios para controle de pressão arterial. Segundo ele, há meses em que se encontra o remédio. Em outros, não. “Acho que eles deveriam nos atender sempre. Não adianta ser uma vez ou outra porque todo mês eu ganho o mesmo salário”, disse.
Caso desobedeçam à decisão judicial, os governos municipal e estadual estarão sujeitos a sérias conseqüências. Pela sentença do juiz João Sartori Pires, poderão recair sobre ambos intervenção e processo por improbidade administrativa (leia mais no texto abaixo).
DESCONHECIMENTO
Poucos sabem que a Prefeitura e o Estado são obrigados a fornecer os medicamentos por uma ordem judicial. Tanto que Sebastião de Souza, 58, que disse padecer de doenças circulatórias, cardíacas, diabetes e de problemas na coluna, precisa vender picolés na porta do NGA-16 para poder se tratar.
“Se eu estivesse com a saúde boa estaria na panha do café. Não ia querer nada de graça. Mas não consigo por causa de meus problemas de saúde. Só vendo picolés na rua para poder comprar meus medicamentos.”
Ao saber da medida que garante medicação a pacientes carentes, Souza ganhou novo ânimo.
“Engraçado. No NGA, ninguém fala isso para os pacientes. Só dizem que não fornecem o medicamento e pronto, cada um que se vire. Foi muito bom saber disso. Já na segunda-feira vou fazer o Boletim de Ocorrência e procurar o promotor. Vou buscar meus direitos mesmo.”
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