As baterias de Alckmin


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A opinião pública aguarda a palavra do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a confirmação de sua candidatura à reeleição da Presidência da República. O presidente tem viajado por todo o País, pré-anunciando sua futura decisão, cujo tempo vence no dia 30 de junho. E em todos os discursos que profere, não deixa de criticar o governo de FHC e a oposição, para se vangloriar, em arrogância ofensiva, das suas ‘vitórias’ e de seus ‘programas’ que ‘o Brasil esperava há séculos’. Obviamente, em qualquer pronunciamento, Lula fazia qualquer referência à maior crise política que afetou seu governo e seu partido. No entanto, o ex-governador Geraldo Alckmin, que pretende disputar a eleição para a Presidência, viu confirmada sua candidatura pela Convenção do PSDB, em Belo Horizonte (MG), dia 11 último, numa festa para a qual se esperavam alguns milhares de eleitores e que, segundo o ‘Estadão’, teria custado um milhão, mas que não se chegou a tanta expectativa. Falaram diversos oradores, todos mostrando virtudes de Alckmin, como candidato da oposição e como administrador excepcional ‘do maior Estado do Brasil’, pronto para moralizar a administração e para realizar as grandes obras sociais, educativas e sanitárias que o País reclama. O último discurso foi o do candidato Geraldo Alckmin, aguardado com grande expectativa pelo plenário, através de cujos conceitos eram esperados os lances de um aspirante experiente na promessa de seu ‘Programa de Governo’. O noticiário da TV e dos jornais revelou, no dia seguinte, que o forte da oratória do candidato, porém, falando por 60 minutos, gastou muito tempo em falar de seu governo em São Paulo e, com mais ênfase, dos erros de Lula, seu adversário, além da corrupção do partido que comanda. A manchete do ‘Estadão’, no dia 12, a propósito da Convenção do PSDB, realizada na véspera, foi esta: ‘Agora candidato, Alckmin endurece: onde está o chefe dos 40 ladrões?’ E essa curiosa metáfora, visando às propinas criminosas do ‘mensalão’, tinha um alvo certo, como se pode imaginar. E mostrou uma face nova nos pronunciamentos do - até agora - sereno orador político. Na verdade, o ataque indireto a Lula deverá receber adequada defesa do presidente e de seus correligionários, principalmente daqueles acusados de fruir os milhões do ‘mensalão’. Por enquanto, só há um candidato às eleições presidenciais, e um provável e fatal adversário. No entanto, como a lei eleitoral ainda permitirá coligações nos Estados, será bom que os ânimos não se esqueçam da linguagem parlamentar e evitem conflitos no calor das disputas. E a maioria dos eleitores do Brasil já não aceita ofensas, achincalhes e agressões gratuitas. O futuro de nossa democracia precisa de paz e de seleção de candidatos que tenham vida íntegra e competência comprovada.

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