A dona de casa Maria Aparecida Lopes, 48, e o aposentado João Garcia Lopes, 86, moradores da Vila Monteiro, estão desesperados. JPL, 20, primeiro dos dois filhos que tiveram, é usuário de drogas desde os 12 anos e, para sustentar o vício, furta objetos de casa, ameaça matar os pais e os agride. O casal procurou a polícia várias vezes, tentou internar o filho em clínicas de recuperação, mas não consegue resolver o problema. Para piorar, ninguém os ajuda.
Sem saber a quem recorrer, os pais resolveram pedir socorro à imprensa. “Só peço que nos ajudem. Alguém tem de prender ou internar o JP. Não dá para continuar vivendo assim. Prefiro ver meu filho preso. Ele sempre bate e ameaça a gente com a faca. Tenho medo que nos mate”, disse a mãe.
Além de usar maconha, craque e cocaína, JPL tem problemas mentais. Ainda criança, ficou internado no Hospital Psiquiátrico Allan Kardec, recebeu tratamento com remédios controlados e um ano depois teve alta. Mas, fora da entidade, interrompeu a medicação, acabou se envolvendo com drogas, foi pai muito jovem - aos 14 anos -, teve de abandonar os estudos na 5ª série e perdeu empregos em um supermercado e uma fábrica de calçados. Hoje, JPL só passa em casa para comer, tomar banho ou pegar objetos para trocar por mais drogas. Fuma perto da filha de 6 anos, tenta abusar sexualmente da menina e ameaça acabar com a vida dos pais. “Ele não pode ficar com a gente. Quando está drogado e bêbado, fica doido e estúpido”, disse Maria Aparecida, enquanto mostrava as marcas dos arranhões que ele fez no braço do pai, um senhor de 86 anos, que sofre de pressão alta e precisa de uma bengala para andar.
No último ano, a situação do casal com o filho viciado se agravou. O rapaz está fazendo um verdadeiro “limpa” na residência deles. Já vendeu panelas, o celular da mãe, a bicicleta do irmão mais novo, parte das medalhas que o pai ganhou na época em que serviu o Exército e até a aliança de casamento de João. “Como estava larga, tirei do dedo. Ele pegou e vendeu por R$ 15 para comprar droga”. A filha dele nem usa brincos porque ele tira das orelhas da criança para vender.
Para evitar os furtos e as agressões, Maria Aparecida e João têm ficado na casa de parentes. “Na minha mãe já mora muita gente. Eu e meu marido temos que dormir sentados porque lá não tem cama. Não temos conforto nenhum, mas tenho medo que ele me mate e não posso morrer porque preciso cuidar do meu marido, do meu filho caçula e da minha netinha”. A neta fica com eles desde os sete meses. A mãe dela também é viciada em drogas e perdeu a guarda da criança para a avó. “Dá vontade de sumir”, disse Maria Aparecida, chorando.
Aposentado como segundo-tenente, João recebe R$ 3.400 e teria condições de pagar uma clínica particular para dependentes químicos, mas JPL não quer. “Quando falo para ele se tratar, fica muito bravo e diz que não vai. Estou em busca de alguém para nos ajudar”, conta a mãe.
DE MÃOS ATADAS
O casal procurou a polícia para denunciar o caso, mas ele não pode ser preso. “Os crimes em que se enquadra são considerados de menor potencial e as penas são alternativas, de prestação de serviços à comunidade. Não temos como prendê-lo”, disse o delegado da Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes), Benedito Quiodeto. Para piorar, não restam alternativas à família. Casas de recuperação para dependentes químicos, serviço social da prefeitura e o Ministério Público pouco ou nada podem fazer para ajudar o rapaz e a família (leia mais nesta página).
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