O sapateiro José Carlos de Lima, 46, morador da Rua Professor Geraldo Malta, 893, no Jardim Paulistano II, está com sérios problemas de saúde. Com mais de 200 quilos, pernas inchadas, falta de ar, dores pelo corpo, passa o dia inteiro deitado ou sentado na cama de casal, num quarto escuro e apertado. A doença, que o obrigou a deixar a rotina intensa de trabalho, preenchida por horas em pé numa fábrica de calçados, ainda não foi diagnosticada. “Ninguém na minha família tem isso. Faz três semanas que não como nada, só laranja. Não engordo por comer muito”.
Doente há meses, já passou por vários médicos, procurou a Secretaria de Saúde para pedir encaminhamento a especialistas no Hospital das Clínicas, de Ribeirão Preto, mas não tem previsão de quando conseguirá vaga. “Estou desesperado. Ninguém descobre meu problema. Os exames não resolvem. Minha situação se complica a cada dia. Preciso fazer curativos nas pernas no ‘Janjão’, mas nem consigo mais andar e entrar na ambulância. Peço ajuda aos médicos para poder descobrir o que tenho e me curar”, disse, chorando.
Afastado, recebe R$ 350 por mês de auxílio-doença da Previdência e não tem dinheiro para pagar consulta com especialista. “Dependo do SUS”.
As colaborações que recebe são da mulher dele, que o auxilia a tomar banho todos os dias e faz os curativos nas pernas. Além de vizinhos como Maria Inês. “Não agüento ver a situação do José Carlos. Sofro junto, mas a gente ajuda como pode. Na hora de levá-lo ao hospital, por exemplo. Os médicos falam que não é caso de internação, mas a gente vê que não está certo. Ele não está bem de jeito nenhum”.
Consultado sobre o caso de José Carlos, o Secretário de Saúde Alexandre Ferreira disse que precisa verificar os prontuários do paciente e checar os procedimentos já tomados para resolver a situação antes de qualquer providência. “Ele não ficará sem atendimento. Diagnosticaremos o problema e, se Franca não oferecer tratamento para a doença, o encaminharemos para Ribeirão Preto”.
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