Em meio a tantos problemas enfrentados na defesa do meio ambiente, é sempre bom destacar as notícias positivas. Uma delas refere-se ao crescimento da conscientização do brasileiro em relação ao meio ambiente. Nos últimos 15 anos, essa preocupação aumentou de maneira considerável, sendo que os brasileiros consideram como os maiores problemas ecológicos o desmatamento das florestas e a contaminação das águas.
Os dados constam de uma pesquisa realizada em março e divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente, Instituto de Estudos da Religião (Iser) e WWF Brasil. A sondagem feita Instituto Vox Populi faz parte de uma série histórica realizada desde 1992 e serve para acompanhar as oscilações de opinião sobre grandes temas da agenda ambiental.
Em linhas gerais, a sondagem revela que cresceu o número de pessoas que hoje são capazes de identificar problemas ambientais no Brasil.
E esse crescimento ocorreu em todas as regiões e grupos de habitantes.
Além disso, aumentou de maneira significativa o número de brasileiros que não consideram exagerada a preocupação com o meio ambiente – 42% em 1997 para 49% em 2006.
Outra boa notícia apontada pelo estudo é que parte da população compreende e domina assuntos relativamente complexos, como efeito estufa e biodiversidade.
As notícias são excelentes, mas ainda há pontos que devem ser analisados com cuidado e servir para reflexão sobre as conseqüências práticas dessa conscientização. Uma delas é que, apesar do cidadão estar mais preocupado com a natureza, essa preocupação não está acompanhada de atitudes práticas em defesa do ambiente. Além disso, as pessoas mais conscientes situam-se nas camadas mais altas, moram em centros urbanos e têm boa escolaridade.
O mapa da conscientização aponta os caminhos que devemos seguir. Em primeiro lugar, é mais do que importante continuar o trabalho de conscientização e educação ambiental, em todos os setores da sociedade. Atenção especial deve ser dedicada às camadas mais baixas que, junto com o desconhecimento sobre a causa ambiental, compõem a parcela que mais sofre muito com o descaso do poder público.
Os domicílios mais pobres são justamente aqueles que enfrentam a falta de saneamento básico, saúde e educação. Como exigir que a pessoa tenha consciência sobre a preservação do meio ambiente se na sua casa não tem esgoto sanitário,uma das principais causas de poluição dos rios? Educação ambiental deve vir junto com políticas governamentais que melhorem os índices de saneamento básico, saúde e educação.
O caminho ainda é longo até que a defesa do meio ambiente se torne prioridade no País. Mas, como provou o estudo, não há motivo para desânimo. Que os índices de conscientização da população nos próximos anos melhorem ainda mais. E a conscientização dos governos também, é claro.
SEBASTIÃO ALMEIDA é deputado estadual pelo PT, coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Água e membro da Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa. E-mail: gotadagua@sebastiaoalmeidapt.com.br
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