O garoto Guilherme Marques, 3, será atendido no NGA-16 no dia 27 deste mês. A consulta, anteriormente marcada para 20 de setembro, foi antecipada pela Secretaria de Saúde. Há um ano, o garoto sofre convulsões e ficou internado três vezes. Na última, o médico solicitou um mapeamento cerebral. O exame custa, em média, R$ 150 e seu pai, desempregado, não tem como pagar. Resta à família Marques contar com o NGA, que tem apenas três neurologistas, todos investigados pela prefeitura e pelo MP. Entre eles, Kátia Maria Martins, médica que seria responsável pelo subaproveitamento de um aparelho na prefeitura que poderia ter feito o exame de graça. E justamente a ela caberá resolver o problema de Guilherme.
A família do garoto, que mora em uma casa simples do Jardim Simões, vive um drama. O menino sofreu pelo menos cinco convulsões. Em sua última internação na Santa Casa, em abril, o neurologista Danilo Bertoldi recomendou um mapeamento cerebral ao menino. Seu pai, Reginaldo Marques, tentou obter o encaminhamento para o exame, mas a médica Edith Aparecida de Pádua, que atendeu o menino no NGA16, teria dito que o mapeamento seria desnecessário e que o exame seria solicitado somente se Guilherme sofresse nova crise. Pádua teria pedido para ver o paciente novamente em agosto, mas só haveria vaga em 20 de setembro.
Edith de Pádua é uma dos três neurologistas do NGA. Os outros dois são José Reinaldo Nogueira e Kátia Maria Martis. Todos são acusados de formar uma máfia que indicava a pacientes da rede pública consultórios particulares para a realização de exames que poderiam ser feitos gratuitamente pela prefeitura (leia mais ao lado).
O secretário da Saúde, Alexandre Ferreira, ao saber da história de Guilherme, antecipou a consulta para 27 de junho, no NGA. Apesar de investigada, Kátia Maria Martins permanece trabalhando normalmente na rede pública e caberá a ela decidir pela realização ou não do mapeamento. Ferreira disse que não pode garantir o encaminhamento. “Aí é com o médico. Não posso interferir em procedimentos dos profissionais”, disse.
Pelo menos um aspecto indica que Kátia Martins poderá pedir o exame de Guilherme. Em recente entrevista ao Comércio da Franca, quando questionada sobre a importância do mapeamento cerebral, a médica ressaltou que o diagnóstico é abrangente. “É um exame importante, sim. Bem mais completo que o eletro convencional”, disse a especialista que deve atender Guilherme.
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