Arte da região na capital


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Grande pintor brasileiro do século passado, como define a pesquisadora Lélia Coelho Frota no Pequeno Dicionário da Arte do Povo Brasileiro - Século 20 (Aeroplano Editora), José Antônio da Silva (1909-1996) foi dos artistas populares que mais se destacaram durante sua trajetória. Para se ter idéia, ele participou e saiu premiado com suas pinturas da 1ª Bienal de São Paulo; foi um dos representantes brasileiros na Bienal de Veneza de 1966; e suas obras figuram em coleções de museus como o MAM de São Paulo, Masp e Museu de Arte Contemporânea da USP. Mas citar esses feitos é enaltecer apenas aquele lado do circuito de arte estabelecido - o que é pouco. O próprio José Antônio da Silva parecia ter uma visão crítica de um circuito fechado e predatório: em auto-retrato de 1989, ele faz ironia com a frase “Bienal, Você Perdeu Um Jenio. Adeus” (sic). Como grande pintor brasileiro, sua produção não poderia deixar de ser uma fonte inesgotável de mostras. E agora, a Renot Escritório de Arte inaugura uma exposição para comemorar os “60 anos de sua aparição no cenário da pintura nacional e universal”, como define o crítico Carlos Soulié F. do Amaral no texto feito para o catálogo da mostra. “Ao historiador e a todos que se voltam para a pintura, porque nela encontram campo e praia para cultivar o espírito, uma exposição de José Antônio da Silva é como um clarim que chama para a renovação da originalidade inventiva e da energia das cores, para um mundo que é nosso por força atávica e telúrica, mas que já não alcançamos plenamente por estarmos imersos na globalidade urbana”, ainda nas palavras do crítico. A mostra fica em cartaz até o dia 28. Nascido em Sales de Oliveira (60 quilômetros de Franca), José Antônio da Silva começou a pintar de forma autodidata tardiamente, aos 37 anos. Vivendo no meio rural, não poderiam deixar de aparecer em suas pinturas assuntos relacionados a esse entorno - campos de algodão são dos temas preferidos do artista, assim como as boiadas e tantas plantações, paisagens. Os homens retratados também são os da vida simples no campo: violeiros, casal na fazenda, como se vê na mostra na Renot, por exemplo. Em 1946, já morando em São José do Rio Preto, José Antônio da Silva enviou um óleo pintado em flanela, intitulado Boizinhos, e mais dois outros trabalhos para o concurso da Casa de Cultura dessa cidade, como conta Lélia Coelho Frota. Foi premiado por um júri que contava com os críticos Lourival Gomes Machado e Paulo Mendes de Almeida e pelo filósofo João Cruz Costa. “Seu percurso artístico foi então meteórico”, afirma Lélia. José Antônio da Silva criou uma obra com traços muito particulares - principalmente seus retratos e auto-retratos são feitos com pequenas pinceladas como pontos (num deles o artista até escreve que está “empipocado”) - e fortemente colorida. Não à toa, o crítico Soulié do Amaral o define como um expressionista brasileiro, mas que pintou “o vigor da vida em construção”. EM SALES Em Sales de Oliveira, o legado de José Antônio da Silva não é muito grande. Mas para quem ainda não conhece a obra do artista, vale a pena passar pelo Centro Cultural da cidade, onde há cerca de cinco obras dele, entre telas, desenhos e gravuras. Além disso, há anualmente (em maio), um concurso de arte que leva o nome do pintor. SERVIÇOS José Antônio da Silva. Renot. Alameda Ministro Rocha Azevedo, 1.327, São Paulo. De 2.ª a 6.ª, das 11 às 20 horas (sábado até 14 horas).

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