Afonso quebra o pau com Chinaglia


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O vereador Maurício Chinaglia (PSB) e o diretor da Câmara, Afonso Teodoro Souza Filho, bateram boca e roubaram a cena na sessão de ontem. Regras para realização do concurso público da Casa foi a origem da discussão. Projeto de autoria coletiva pretendia revogar lei, já aprovada, que isentava deficientes físicos e pessoas de baixa renda de pagar inscrição em concursos municipais. Ofendido por não ter sido comunicado da apresentação do projeto por seus colegas, Maurício Chinaglia (PSB), autor da lei que seria revogada, ficou ainda mais irritado com a postura de Afonso que acreditava que a lei inviabilizava a realização de concursos. No final, a briga ultrapassou a questão técnica e alcançou as ofensas pessoais. Diante do impasse, os vereadores fizeram um recesso. O intervalo deveria durar cinco minutos e durou 200. A grande divergência entre apoiadores e opositores estava na cláusula que isentava quem tem renda familiar de até 15 UFMs (Unidades Fiscais Municipais) - cerca de R$ 435 por pessoa - de ter que arcar com o valor da inscrição. Depois de muita discussão, Luiz Carlos Fernandes (PDT) e Maurício Chinaglia pareciam ter chegado a uma conclusão: isenção apenas para deficientes. Mas, pouco depois, Afonso entrou no plenário. O décimo sexto homem na discussão trazia a informação de que o Centro-Unifacef, órgão que aplicará o concurso da Câmara, havia aceitado as condições acertadas. Chinaglia, visivelmente irritado, disse: “Se era pra se chegar a um acordo, eu só queria saber a razão de tanto desrespeito”. O vereador do PSB fazia menção a uma discussão, ocorrida dentro do prédio da Câmara, em que ele se sentiu ofendido por Afonso, e suas palavras foram o estopim para o quebra pau. “Fica na tua. Eu não te desrespeitei não”, disse Afonso. Chinaglia partiu para o ataque. “Quem é você, rapaz? Eu tenho 2 mil votos para representar o povo aqui nesta Casa!”, disse o vereador. Sem papas na língua, o funcionário da Câmara disparou. “Suas muletas não me comovem”. A cena foi uma das mais constrangedoras no plenário da Câmara neste ano. Todos parecem ter se sentido ofendidos com o bate-boca exaltado. “Eu estou horrorizado”, confessou em voz alta Bahia (PDT), vereador há cerca de 50 dias. Colegas mais experientes também se manifestaram. “É lamentável. A Câmara só existe porque os vereadores existem. Quando ele (Afonso) diz que as muletas não o comovem, ficou mais feio ainda”, disse Luiz Carlos Fernandes (PDT). Valter Gomes (PSB) repetiu a primeira frase de Luiz Carlos e foi mais além. “É muito lamentável. Quando nós necessitamos de algum fundamento técnico, nós pedimos. Agora, a função política quem exerce é quem foi eleito para tal. O funcionário que se coloque em seu lugar”, disse o vereador. AS DUAS PARTES Afonso acredita que não houve desrespeito. O diretor da Câmara acusou o vereador do PSB de oportunismo. “Ele quis se aproveitar para fazer média e eu não estou aqui para isso”. Maurício Chinaglia reiterou suas opiniões. “Eu não entendi o porquê da interferência de um funcionário. Ele me agrediu, me ofendeu, me humilhou”. De acordo com o vereador, o teor da discussão no interior do prédio da Câmara foi ainda pior. “É um desequilibrado. Lá dentro, ele insinuou que, se precisasse, ele partiria inclusive para agressão física”. Sem chegar a tanto, os vereadores definiram as regras para os concursos não só da Câmara, como da prefeitura. Deficientes permaneceram isentos de pagar as inscrições nos concursos da Câmara Municipal. A população de baixa renda não foi contemplada e deve ser objeto de novo projeto em breve. Quanto aos concursos da prefeitura, nenhuma isenção foi mantida.

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