São 91 anos de vida, muita experiência e muitas histórias para contar. Na tarde do último sábado, na livraria Pórtico Cultural, a professora aposentada e agora escritora, Mathilde Caldeira Facioli, lançou seu primeiro livro: Vida e Morte de Jesus de Nazaré - O Cristo. Lá, ela recebeu parentes, amigos e até ex-alunos dos tempos do “Coronel” (foi professora durante 20 anos na Escola “Coronel Francisco Martins”) e falou com a reportagem sobre o livro.
Católica desde criança, Mathilde se debruçou durante cerca de um ano sobre obras que falam dos mais diversos aspectos da vida de Cristo. Então, resolveu escrever. “Se você me perguntar por que eu decidi escrever, eu não vou saber te responder. Simplesmente tive vontade”.
Mas por trás da obra e da autora há um gesto de caridade. Toda a renda obtida com a venda do livro será revertida para o Hospital do Câncer. “Durante 30 anos eu trabalhei na Rede Feminina de Combate ao Câncer. E, enquanto eu escrevia o livro, me lembrei de um dia em que teve uma festa no parque onde as crianças em tratamento brincavam. E aquilo me comoveu muito porque vi que elas ainda gostavam de brincar, apesar de tudo. Então, achei que, se doasse a renda para o Hospital do Câncer de Franca, eles poderiam fazer um parque para as crianças de lá também”.
O livro é um romance sem capítulos, para que a leitura flua melhor, segundo a autora. “Eu queria fazer uma narração para que todos entendessem. A história, muita gente já conhece. Mas eu queria que os que ainda não a conhecem profundamente tivessem uma leitura gostosa”, diz. Sem muita facilidade com a tecnologia do computador, Mathilde escreveu todo o livro à mão. Na verdade, foram seis manuscritos que ela pensa em queimar. “Agora já está publicado e é essa versão a que vale. Do restante eu acho que vou me desfazer”, disse.
Sobre a experiência de escrever, diz que foi ótima, mas muito difícil. “A pesquisa foi tranqüila. Eu ia lendo e anotando. Mas escrever é muito difícil. Os escritores de Franca estão de parabéns pelo trabalho que fazem. Porque não é nada fácil”.
Já a pesquisa, não foi difícil de fazer. Pelo contrário. Criada em um ambiente católico e religiosa por convicção, ela sempre leu sobre o assunto. A diferença é que, por causa do livro, lia e anotava. Tudo para ter precisão no que escrevia. “Nem sei quantos livros eu li. Mas sei que muita gente sabia da pesquisa e me mandava livros diferentes, que eu nunca tinha visto”, conta.
A obra narra o nascimento, a vida e a morte de Jesus Cristo. Para ela, o mais marcante dessa vida de sofrimento é o julgamento. “É uma história muito bonita que nos desperta muitas emoções por causa do sofrimento dele e de sua mãe, que passaram por tantas provas”, diz. Mathilde acha que a sua pesquisa não encerra o assunto. “Eu acho que a vida de Cristo deve ser pesquisada mais profundamente. Ainda há muita coisa para ser dita”.
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