Milho de pipoca, amendoim, gengibre, canjica, fubá, bolos, pé-de-moleque, paçocas, bandeirinhas de papel de seda, chapéus de palha, vestidos caipiras e fogos. As vendas desses produtos estão disparadas com a chegada das festas de junho.
Fornecedores calculam incremento de até 400% nas vendas. A reportagem consultou quinze estabelecimentos de roupas, alimentos e bombinhas e constatou o aumento de negócios, por conta das comemorações juninas, em todos eles.
No Supermercado Lopes, a expectativa é a de que as vendas cresçam de 20% a 30% com relação aos outros meses. “Normalmente, já reforçamos o estoque dos produtos típicos. Neste ano, com a Copa do Mundo, esperamos vender muito mais pipocas e amendoins e já tratamos de garantir reserva dessas mercadorias”, disse o gerente Vicente Costa.
O representante da Yoki na região, Luís Cordeiro, também constata o aumento da demanda nesta época. “Em todo o País, a tradição de consumir os cardápios típicos é muito forte. Pesquisas nacionais mostram que a venda de pipoca chega a crescer 400%, a de canjica e amendoim, 300%, além de condimentos: canela, cravo e temperos. Franca não foge à regra”.
A locação e compra de vestidos estampados, de noivinha e chapéus de palha também estão altas. Na Moda Festa, o mês junino é comparado ao carnaval, tamanho o interesse, de crianças e adultos, pelo aluguel das “fantasias”. Há quem prefira ter as roupas para os anos seguintes.
A loja Flor de Lis comemora a escolha dos clientes. “Estamos vendendo demais, muito mesmo. Só hoje (sexta-feira), foram mais de quinze vestidos para meninas e mulheres”, disse a vendedora Kely Matias.
VESTÍGIOS
Apesar de movimentar diferentes setores, inclusive o de roupas caipiras infantis e para adultos, o costume de dançar quadrilha enfraqueceu nos últimos anos. O historiador José Chiachiri Filho disse que o espírito das festas juninas continua, mas se perderam algumas características tradicionais.
As quadrilhas, forró, simpatias, corrida do saco, subir no pau-de-sebo, fogueira e cadeia do amor não estão mais presentes em todas as festas. O fechamento das ruas para fazer “arraiás” nos bairros da cidade também já não é tão comum como há uns 15 anos. “Com os padrões impostos pela globalização, valores antigos e regionais passam a ser caipiras e são abandonados pelas pessoas.
No Brasil, o Nordeste é praticamente uma das únicas regiões a superar tal efeito globalizante e a tradição das festas e homenagens aos santos é fortemente mantida”, disse Chiachiri. “Em Franca, não podemos afirmar que a tradição de soltar fogos de artifício e das danças acabou, pois ainda existem vestígios dela. Na realidade, houve uma redução e as quadrilhas e casamentos caipiras acontecem apenas em comunidades fechadas, como escolas, grupos da terceira idade e igrejas”.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.