O MPE (Ministério Público Estadual) quer todos os detalhes sobre o escândalo denunciado na Saúde Pública em Franca durante a semana passada. Para isso, requereu da Secretaria Municipal de Saúde todos os dados dos servidores suspeitos de envolvimento para iniciar as investigações. O inquérito foi instaurado na quinta-feira pelo promotor de Justiça e Cidadania, Paulo César Corrêa Borges, que deu dez dias de prazo à Secretaria para que os documentos sejam entregues. Será investigada a conduta de médicos da rede, acusados de cobrar para atender pacientes do Sistema Único de Saúde em seus consultórios particulares e realizar exames cobertos pelo SUS.
Outro aspecto a ser averiguado pelo MPE é a subutilização de um aparelho do CDI (Centro de Diagnóstico por Imagem) da prefeitura. A máquina tem capacidade para realizar mapeamento cerebral, mas faz apenas eletroencefalogramas. “Foi requisitada ao secretário de Saúde (Alexandre Ferreira) a relação de todos os envolvidos, funções e a apuração que já foi feita”, disse Paulo Borges.
Sobre a subutilização do aparelho, o promotor disse que o MPE será criterioso. Se comprovada a irregularidade, os responsáveis serão processados. “Pedi a cópia do contrato da compra do aparelho de mapeamento e os dois relatórios de exames e procedimentos realizados pela Secretaria que foram mencionados pelo secretário. Pelo que entendi, houve omissão nas informações prestadas a ele”, disse o promotor. “Verificaremos a existência de pessoas que tenham pago por esse exame fora da rede e as ouviremos em declarações”.
SEM EXAME
A família de Guilherme da Silva Marques, 3, ainda espera a realização de um mapeamento cerebral para o menino, que já sofreu cinco convulsões desde 2005 e ficou internado três vezes na Santa Casa de Franca. Guilherme precisa do exame para detectar, ao certo, qual é o seu problema. O pai, Reginaldo Marques, está desempregado e não pode pagar pelo exame, que custa entre R$ 150 e R$ 180 em clínicas particulares.
Reginaldo disse que a criança foi internada no dia 1º de abril, na Santa Casa, e o neurologista Danilo Régis Bertoldi, que o atendeu, prescreveu o mapeamento cerebral. “Ele já fez vários eletros e até hoje não sei ao certo o que meu menino tem. Estou desempregado e não tenho condições de pagar o mapeamento”.
Marques apresentou o pedido de Bertoldi no NGA, em 5 de maio, à médica Edith Aparecida de Pádua. “Achei um absurdo. A doutora Edith disse que era para esperar até que o Guilherme tivesse outra crise para que ela pedisse o encaminhamento para Ribeirão Preto.”
Para piorar a situação, a consulta de retorno, marcado pela médica, demoraria cinco meses para acontecer, e foi agendada para o fim de setembro.
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