Criança é vítima da máfia dos exames


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Há um ano, menino de 3 anos sofre com convulsões; médica ignora pedido de mapeamento
Há um ano, menino de 3 anos sofre com convulsões; médica ignora pedido de mapeamento
Guilherme tem 3 anos e meio e mora em uma casa simples no Jardim Simões. Desde o ano passado, sofreu cinco convulsões e teve de ficar internado três vezes na Santa Casa de Franca. Guilherme precisa realizar um mapeamento cerebral para detectar, ao certo, qual é o seu problema. O pai, desempregado, não pode pagar pelo exame, que custa entre R$ 150 e R$ 180 em clínicas particulares. Desde outubro de 2005, um aparelho que deveria realizar o exame gratuitamente está parado no Centro de Diagnóstico por Imagem da prefeitura. Segundo a própria Secretaria de Saúde, ninguém sabia. O aparelho chegou ao CDI (Centro de Diagnóstico por Imagem) da prefeitura em outubro, mas vinha sendo subutilizado. “Apenas a doutora Kátia sabia disso. Mas não falou para ninguém”, disse o secretário da Saúde, Alexandre Ferreira. A médica Kátia Martins e outras oito pessoas, entre médicos e chefes de setor da prefeitura, são acusados de participar de uma máfia de servidores que indicava, a pacientes da rede pública, consultórios particulares para a realização de exames que poderiam ser feitos gratuitamente pela prefeitura de Franca (leia mais no texto abaixo). Reginaldo Marques, pai de Guilherme, está revoltado. Ele disse que a criança foi internada no dia 1º de abril, na Santa Casa, e o neurologista Danilo Régis Bertoldi que o atendeu prescreveu o mapeamento cerebral. “Ele já fez vários eletros e até hoje não sei ao certo o que meu menino tem. Estou desempregado e não tenho condições de pagar o mapeamento”. Marques apresentou o pedido de Bertoldi no NGA, em 5 de maio, à médica Edith Aparecida de Pádua. “Achei um absurdo. A doutora Edith disse que era para esperar até que o Guilherme tivesse outra crise para que ela pedisse o encaminhamento para Ribeirão Preto. Parece que os médicos não falam a mesma língua”. Para piorar a situação do garoto, a consulta de retorno, marcado pela médica, demoraria cinco meses para acontecer. Ainda em cinco de maio, Edith Aparecida disse que tornaria a ver Guilherme em agosto, mas a consulta foi marcada pelo NGA-16 para o fim de setembro. “Dá a impressão que não estão levando a sério o caso”, disse Marques. SECRETÁRIO O secretário Alexandre Ferreira tomou conhecimento do caso de Guilherme pela reportagem do Comércio. A princípio, disse que não poderia questionar critérios médicos, mas, depois, ao saber que havia um encaminhamento do neurologista da Santa Casa e que a consulta do menino está marcada apenas para o dia 20 de setembro, prometeu que Guilherme será assistido pela rede pública. “Vou cuidar pessoalmente para que o garoto receba a devida atenção”. Quanto à demora para realizar o atendimento, Alexandre disse que não há nada a ser feito. “Vou fazer o quê? Não tem médicos suficientes. A prefeitura abre concursos e as vagas nunca são preenchidas. Esse é um problema complicado e vamos procurar soluções, só que não tem como resolver isso tão já”.

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