Os presidiários fazem de tudo para conseguir colocar créditos de graça nos aparelhos celulares que pipocam por cadeias e CDPs de todo País. A última novidade é o “Golpe do Faustão”. Os detentos ligam de dentro dos presídios para uma vítima escolhida aleatoriamente e dizem que ela ganhou vários prêmios e participará do programa global “Domingão do Faustão”. Para isso, porém, ela precisa comprar cartões pré-pagos para celulares e passar os códigos dos mesmos aos bandidos. Quando a pessoa vai atrás do prêmio, a triste surpresa: não existe promoção alguma. O prejuízo pode ultrapassar os R$ 1 mil.
Quem denunciou o caso foi uma dona de casa da Vila Chico Júlio. No último sábado, ela estava em casa em companhia dos filhos quando o telefone tocou. Ao atender, uma voz desconhecida, do outro lado da linha, afirmava ser da “Telefônica Comunicações” e que ela havia acabado de ganhar quatro celulares com câmera; uma TV de plasma com DVD; uma cozinha completa; uma geladeira duplex e 600 minutos em créditos de celular pré-pago. Para retirar o prêmio, porém, Ivone teria de comprar dois produtos da Nestlé, de livre escolha, e dez cartões pré-pagos, de qualquer valor, das operadoras TIM e Claro. “Estranhei ganhar um prêmio e ter de gastar dinheiro para poder recebê-lo”, disse. E não retornou o telefonema, conforme o rapaz, que se identificou como Jéfferson Cardoso, havia orientado.
Segundo o delegado da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), Wanir José da Silveira Júnior, se a dona de casa tivesse seguido as instruções, teria se tornado mais uma vítima dos presos. “As pessoas são gananciosas e querem tirar vantagem em tudo e acabam é tomando prejuízo. Basta ver que são três companhias distintas de telefonia. É um argumento primário. Mas a ganância cega as vítimas e o golpe dá certo”, disse o policial.
Silveira Júnior disse que por se tratar de telefones celulares a investigação é difícil. Para complicar, os códigos de área utilizados pelos marginais geralmente são diferentes dos das cidades onde o golpe é aplicado. “É quase impossível localizar os bandidos, pois os cadastros dos aparelhos são feitos com documentos falsos”.
Antes do “Golpe do Faustão”, os presos já haviam tentado obter créditos para seus celulares de outras maneiras. Entre elas, ameaças de morte contra os familiares das vítimas e tentativas de extorsão. “Certa vez, o policial buscou uma pessoa na fila do banco. Ela estava pronta para depositar dinheiro para bandidos que disseram ter seqüestrado seu marido, mas era tudo forjado e ele estava até em casa. Eles têm tempo de sobra para pensar nesses golpes”, disse Silveira Júnior.
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