Reforço contra a paralisia infantil


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O Brasil entrou, em 2006, no 17º ano sem registro de casos poliomielite, doença grave que pode provocar seqüelas irreversíveis e até a morte. No Estado de São Paulo, a paralisia infantil, como é popularmente conhecida, está erradicada há 18 anos. Sem dúvida, um motivo de alívio para os brasileiros, mas de alerta constante por parte dos profissionais de saúde pública. No calendário nacional de imunização, a vacina Sabin, contra a pólio, é assegurada para todas as crianças, gratuitamente, pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A primeira dose deve ser aplicada aos dois meses de vida; a segunda, aos quatro meses; a terceira, aos seis meses. Além disso, mais dois reforços, o primeiro com 15 meses e o segundo entre os cinco e seis anos de idade. Além disso, é fundamental que todas as crianças menores de cinco anos participem das campanhas de vacinação em massa, promovidas anualmente pelo governo. Nessas ocasiões, é aplicada uma dose extra da vacina oral contra a poliomielite, de extrema importância para cobrir eventuais falhas ao esquema de rotina e disseminar o vírus vacinal no meio ambiente, para que imunize pessoas ainda não protegidas. Por que todo esse cuidado, se a pólio está erradicada há tanto tempo? Simplesmente pelo fato de a doença ainda existir em outros países, principalmente, na Ásia e na África. O vírus da paralisia infantil, portanto, continua circulando e pode ser re-introduzido no Brasil por um viajante e contaminar pessoas que não estiverem devidamente imunizadas, da mesma forma que um brasileiro não imunizado pode contrair a doença se viajar a um desses países. A primeira fase da campanha de vacinação contra a poliomielite acontece no próximo dia 10 de junho, um sábado. A meta da Secretaria de Estado da Saúde é imunizar, nesse dia, cerca de 3,1 milhões de crianças menores de cinco anos, o que corresponde à meta de 95% de cobertura, já que existem, no Estado, 3,2 milhões de pessoas nessa faixa etária. Para a campanha deste ano haverá cerca de 23 mil postos de vacinação, entre fixos e volantes, nos 645 municípios paulistas, abertos à população das 8h às 17h do sábado. Foram mobilizados 50 mil profissionais de saúde, em parceria com as prefeituras, e mais de 4,8 milhões de doses da vacina estarão à disposição das crianças em todo o Estado. Como tradicionalmente acontece todos os anos, a dupla Zé e Maria Gotinha, mascotes da Secretaria, estão percorrendo as cidades para divulgar a campanha. A vacina contra a paralisia infantil é indolor: são duas gotas, de aplicação via oral, que garantem a imunização da criança e, conseqüentemente, uma vida mais saudável. Já a segunda etapa da campanha está prevista para 26 de agosto. As crianças devem ser levadas aos postos nas duas datas. Todas menores de cinco anos deverão comparecer nos postos de vacinação; mesmo se já tiverem recebido as gotinhas em anos anteriores. Em abril último promovemos a campanha de vacinação de idosos contra a gripe, um grande sucesso no Estado de São Paulo. As pessoas com 60 anos ou mais compareceram em peso aos postos de saúde, superando todas as expectativas. Temos a convicção que os pais ou responsáveis de crianças menores de cinco anos seguirão o exemplo, levando seus filhos para tomar a vacina Sabin no próximo dia 10 de junho. HELENA SATO, médica pediatra, é coordenadora de Imunização da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo

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