Prefeitura começa a investigar a máfia dos exames


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O secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, durante entrevista na tarde de ontem, prometeu: “Não haverá impunidade”
O secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, durante entrevista na tarde de ontem, prometeu: “Não haverá impunidade”
Cinco médicos, três chefes de setor da prefeitura e a enfermeira-chefe do NGA16. Todos são suspeitos de lesar pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde) e serão investigados em uma sindicância aberta na Secretaria Municipal de Saúde. A denúncia, feita na manhã de terça-feira durante o programa Hora do Cacete da rádio Difusora AM e publicada ontem pelo Comércio da Franca, pode desvendar uma máfia de servidores que indicava, a pacientes da rede pública, consultórios particulares para a realização de exames que poderiam ser feitos gratuitamente pela prefeitura de Franca. Alexandre Ferreira, responsável pela Secretaria, disse que não haverá impunidade. “O prefeito garantiu que vai punir e até demitir os envolvidos nesse escândalo”. As investigações começaram depois da denúncia da catadora de papelão Maria Doraci Chagas, 49. Ela recebeu atendimento no NGA, em dias distintos, pelo neurologista José Reinaldo Nogueira e pelo oftalmologista Amaury César Cagliari Fernandes. O primeiro teria solicitado um mapeamento cerebral e o segundo, exames para medir a pressão dos olhos e de catarata. Para fazer o primeiro exame, Maria Doraci teria de ir ao consultório particular da neurologista Kátia Maria Martins, que também é responsável pelo setor de eletroencefalografia da prefeitura, e pagar R$ 150. “Um neurologista pediu um mapeamento e na UAC (Unidade de Alto Custo) me disseram que esse exame não era coberto pelo SUS e me deram o telefone da doutora Kátia”, disse a catadora. Em relação ao segundo caso, um exame indicado pelo oftalmoligista, ela teria que procurar o consultório particular dele mesmo e pagar R$ 60. “O médico disse que o aparelho para fazer meus exames está danificado e que eu teria de passar em seu consultório e pagar R$ 60”. Indignado, Alexandre Ferreira abriu a sindicância e descobriu que vários servidores podem estar envolvidos no esquema. Além de Kátia Maria Martins e Amaury César Fernandez, serão investigados o proctologista João Francisco Arantes; os neurologistas José Reinaldo Nogueira e Edith Aparecida de Pádua, todos do NGA-16; a secretária da UAC, Rosane Moscardini; a chefe do CDI, Vera de Freitas, a chefe do setor de Compras da Saúde, Neide Lopes, e a enfermeira-chefe do NGA-16, identificada apenas por Estela. Para o secretário, a lista pode ser ainda maior. “É lamentável. Creio que chegaremos ainda a muitos outros nomes. Os acontecimentos mostram que há muita coisa errada. Quem errou pagará por isso”. EXAME-FANTASMA O secretário de Saúde disse que só descobriu que a prefeitura de Franca possui o equipamento que realiza o mapeamento cerebral após ler as declarações de Kátia Martins em matéria publicada no Comércio. Na tarde de ontem, Ferreira disse que foi enganado. “Só descobri hoje (ontem). Ninguém sabia que tínhamos o equipamento. Apenas a doutora Kátia. O problema é que ela não contou para ninguém”, disse sobre um relatório que teria recebido do CDI, quando assumiu a secretaria em abril, com a relação dos exames que a prefeitura pode fazer. O documento suprimia a capacidade de fazer o mapeamento cerebral. “Curiosamente, a doutor Kátia trabalha no CDI”, disse Ferreira. Segundo o Centro de Diagnóstico por Imagem da prefeitura de Franca, em abril foram realizados 767 exames em pacientes encaminhados pelo NGA16. Nenhum mapeamento cerebral, o mesmo serviço pelo qual a médica Kátia cobra R$ 150 em seu consultório.

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