Muitos telespectadores podem nem notar. Mas é fácil descobrir qual é o autor de uma novela apenas avaliando as características próprias que costumam estar impressas nas tramas que escrevem. É comum surgirem temas recorrentes ou da utilização de núcleos que se assemelham a cada obra. Seja através da exploração de gêneros específicos ou, até, na ambientação de suas histórias na mesma cidade. Pode-se dizer que cada autor tem uma identidade própria, uma marca registrada, que sempre aparece a cada produção. Silvio de Abreu, que atualmente escreve Belíssima, da Globo, confessa que não podem faltar dois ingredientes fundamentais na sua receita. “Não abro mão das histórias policiais e do humor. São duas coisas de que gosto muito e que, acredito, o público também”, entrega Silvio, que, não por acaso, tem entre suas prediletas as novelas Guerra dos Sexos e A Próxima Vítima.
Boas doses de humor, aliás, também sempre fizeram parte das histórias escritas por Walcyr Carrasco, de Alma Gêmea. O autor, contudo, jura que não há nada muito específico que possa ser considerado como uma marca pessoal. Apesar disso, nas últimas três novelas, Carrasco tem inserido personagens que passam boa parte da trama contracenando com animais.
Foi assim nas rurais O Cravo e a Rosa, Chocolate com Pimenta e em Alma Gêmea. “Gosto de bichos e é uma maneira de humanizar ainda mais os meus personagens”, justifica. O ambiente rural também é um dos prediletos de Walter Negrão. Embora ressalte já ter escrito sobre tantos temas e das mais variadas maneiras, não esconde a preferência. “Sou da roça mesmo e gosto de escrever coisas ‘light’. Talvez por isso viva fazendo novela das seis”, opina o autor.
Ser freqüentador assíduo de um determinado horário também pode ser uma característica marcante. É o caso de Manoel Carlos, que se prepara para escrever a próxima novela das oito da Globo, Páginas da Vida. Embora também já tenha escrito para o horário das seis, como em Felicidade, o autor pode ser considerado o “rei do pedaço”. Mas ele também tem outras marcas registradas. Uma delas é inserir a heroína Helena, personagem onipresente em suas tramas. “Além disso, minhas novelas sempre começam com um casamento. Não podem faltar. Ao longo da trama, porém, insiro os problemas sociais, como a violência urbana”, entrega.
Glória Perez, por sua vez, também tem por hábito retratar temas ligados à realidade cotidiana das grandes cidades. Além, é claro, de rotineiramente fazer incursões no chamado merchandising social. Foi assim em Explode Coração, em O Clone e, mais recentemente, em América.
Divertir e informar também podem ser consideradas duas características de Tiago Santiago. Tanto que em Prova de Amor, da Record, além dos elementos folhetinescos e do humor, o autor também está incursionando no território do merchandising social, abordando os problemas do desaparecimento de crianças. Apesar de não ser inédito - a própria Glória Perez fez isso em Explode Coração -, Tiago acredita que o tema dá mais emoção à novela. “Mas ainda não tenho uma marca registrada.
Estou na segunda novela como autor titular e preciso de mais estrada”, pondera. O também novato João Emanuel Carneiro, por sua vez, de Cobras & Lagartos e de Da Cor do Pecado, da Globo, gosta de inserir famílias numerosas nas tramas que cria. “Acho que é por ser filho único, neto único”, teoriza.
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