Os lavradores aproveitaram a fiscalização para reclamar das condições de trabalho. Júlio Silva, 22, é um deles. Pelo segundo ano consecutivo, ele saiu da Bahia para cortar cana em São Paulo. “Sempre trabalhei para esta usina e temos sempre que comprar o material. A minha segunda botina, tive que comprar e paguei R$ 45”, disse ele, mostrando o calçado já todo rasgado. A principal reclamação de João Batista, 30, que veio do Piauí, é quanto às roupas. “Trabalho há cinco anos para esta usina, e as coisas não mudam. O braço fica todo assado por conta da camisa que é fornecida e as mãos ficam raladas porque a luva que nos dão não é boa”, disse.
No meio do grupo uma mulher. Elenir Soares, 38, veio de Minas Gerais. “No início da safra, ganhei uma botina, mas estourou em uma semana e tive que comprar outra. Também não uso a luva que mandam porque é muito ruim. Tomara que com a visita dos fiscais do Ministério do Trabalho, a situação melhore”, afirmou ela, lembrando que não tem nem lugar para esquentar a comida, que acaba sendo ingerida fria.
Para aumentar o salário, alguns trabalham mais que a média prevista, que é de 200 metros quadrados diários. José Germano, 42, disse que passou mal recentemente por excesso de trabalho. “Cheguei a vomitar”. Juranês dos Santos, 30, de Minas Gerais, espera que o trabalho fique melhor após a visita dos fiscais. “Pelo menos, a gente tem registro”.
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