Secretário de saúde investigará médicos da rede pública


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A catadora de papelão Maria Doraci Chagas disse que, sem dinheiro, teria que vender a TV para pagar R$ 150 para realizar um exame de mapeamento cerebral
A catadora de papelão Maria Doraci Chagas disse que, sem dinheiro, teria que vender a TV para pagar R$ 150 para realizar um exame de mapeamento cerebral
O secretário municipal de Saúde, Alexandre Ferreira, abrirá sindicância para apurar a conduta de dois médicos da rede pública. Um dos profissionais foi acusado de atender pacientes no NGA16 e encaminhá-los para realizar exames em seu consultório particular. O outro, de cobrar de pacientes da rede para realizar, em seu consultório, procedimentos disponibilizados gratuitamente no Sistema Único de Saúde. Ambos negam o teor das denúncias. A catadora de papelão Maria Doraci Chagas, 49, disse que foi consultada no NGA, em dias distintos, pela neurologista Kátia Maria Martins Micare e pelo oftalmologista Amaury César Cagliari Fernandes. A primeira teria solicitado um mapeamento cerebral e o segundo, exames para medir a pressão dos olhos e de catarata. Para fazer os exames, Maria Doraci teria de ir aos consultórios particulares dos mesmos médicos e pagar R$ 150 e R$ 60, respectivamente. “Um neurologista pediu um mapeamento e na UAC (Unidade de Alto Custo) me disseram que esse exame não era coberto pelo SUS e me deram o telefone da doutora Kátia. Liguei lá e a secretária disse que eu teria de pagar R$ 150”, disse a catadora. No oftalmologista, a instrução, segundo ela, foi ainda mais direta. “O médico disse que o aparelho para fazer meus exames está danificado e que eu teria de passar em seu consultório e pagar R$ 60”. O secretário Alexandre Ferreira ficou irritado ao ouvir o desabafo da mulher durante o programa Hora do Cacete da rádio Difusora na manhã de ontem. Disse que tomará medidas imediatamente. “Médico nenhum tem o direito de fazer isso. Vou abrir uma sindicância contra esses profissionais. Tudo será apurado”. INOCENTES? Na manhã de ontem, pouco antes da denúncia ser divulgada, a secretária de Kátia, identificada como Cristine, explicou com detalhes como funciona o atendimento. “Com pedido do NGA, o exame custa R$150”, disse à reportagem que não se identificou durante a conversa. Cristine ainda disse que o pagamento poderia ser feito com cheque pré-datado para 30 dias. Para a médica, que também é responsável pelo setor de eletroencefalografia da prefeitura, só faltou diálogo entre ela e a funcionária. “A secretária passou uma informação antiga”, disse. A neurologista admitiu que já cobrou para fazer mapeamentos, mas na época o SUS não pagava por eles. “A prefeitura comprou o aparelho em outubro do ano passado. De lá para cá, não houve mais encaminhamentos”, disse sem explicar porque quase oito meses depois da mudança sua secretária ainda não tinha sido devidamente informada. O oftalmologista Amaury Fernandez tentou se defender, mas foi evasivo: “Não digo que é verdade, nem que é mentira. Pode ser que a gente tenha sido mal-entendido” , disse ele (leia texto nesta página). Colaborou Daniel Rodrigues.

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