As transformações econômicas vividas pelas grandes cidades brasileiras estão mudando o perfil de muitos municípios. A migração das grandes indústrias e empresas para outros locais obriga as cidades a diversificarem suas economias e a apostarem na capacitação e desenvolvimento dos pequenos e médios empreendedores, que muitas vezes enxergam na autonomia a rota de fuga do desemprego.
Um grande exemplo é a região do Grande ABC, que durante décadas foi dominada quase que exclusivamente pela indústria automobilística. O setor ainda é muito importante na região, mas cada vez mais surgem novas oportunidades na área de negócios, serviços e na pequena indústria.
Muitos empreendedores não apenas consolidaram seu produto como já têm condições de disputar o mercado externo. Mas, assim como acontece na fase de consolidação do negócio, exportar também exige preparo, organização e conhecimento. Esse conhecimento deve ser muito mais sofisticado, pois vender para outros países exige lidar com questões que vão desde a legislação alfandegária até estudos sobre a concorrência do produto em outros países, passando por políticas cambiais, custos, exigências sanitárias e muitas outras.
Nesse sentido, o poder público pode desempenhar um papel muito importante. A orientação ao pequeno e médio exportador é uma maneira de fomentar e diversificar a economia do próprio município. A redução na arrecadação provocada pelo fechamento de uma indústria pode ser recuperada com o surgimento de novos negócios.
Emais do que um programa econômico, incentivar a exportação dos pequenos e médios é um programa social, pois contribui para diminuir o desemprego em locais onde as indústrias foram embora, mas os trabalhadores ficaram. É uma maneira de transformar e incrementar a economia local, gerando novas alternativas de renda e despertando novas vocações econômicas que surgem com as exportações.
Em Santo André, um grande exemplo são as indústrias do plástico e de alimentos, que se consolidam cada vez mais e começam a conquistar mercados em outros países. Os contatos com os traders – agentes comerciais de outros países – têm garantido espaço para novos produtos de Santo André e região no exterior. A participação do município em organizações como o Mercocidades, que reúne cidades do Mercosul, tem balizado a adoção de estratégias para que o empresário da cidade e da região conquiste seu lugar ao sol lá fora.
Não adianta cruzar os braços e esperar os efeitos das transformações econômicas não só nas cidades, mas nos Estados e países. Criatividade e ação são as armas mais importantes para a descoberta de novas alternativas e vocações para os distúrbios econômicos. E incentivar o pequeno e médio exportador é um desses mecanismos. Quem sai ganhando não é apenas o empresário. É todo o município.
EDGAR PEREIRA CEZAR é advogado com especialização em Comércio Exterior e gerente do Sistema de Apoio à Exportação (SAX) da prefeitura de Santo André (SP)
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