As mãos trabalham incansavelmente. Guiadas por um olhar experiente, entalham cada detalhe concebido pelo artesão Maurício Olímpio da Silva, 48, que há 14 anos dedica-se ao artesanato. Sua especialidade são as imagens religiosas – que ele cria, esculpe e pinta – e também as restaurações. Um ateliê no fundo da casa é onde ele se isola para criar e executar sua obra, vendida sob encomenda ou na loja que mantém no mesmo local.
É dele, por exemplo, a primeira imagem brasileira de Santa Gianna, a médica italiana canonizada graças a um milagre operado em uma família francana. A partir de uma foto, ele fez o protótipo da imagem. Hoje, realiza vendas para todo o Brasil e também exterior. “Uma vez eu estava assistindo a um documentário da BBC sobre a Santa Gianna, gravado na Itália, e no fundo de uma sala vi uma das imagens que eu fiz. Isso é um orgulho muito grande para mim”, disse.
Antes de executar um trabalho, Maurício precisa criar. Essa é a parte mais difícil e demorada. Chega a passar horas isolado no seu ateliê para fazer a modelagem. Em alguns casos, faz e refaz a mesma obra diversas vezes. Ele faz a modelagem em gesso, geralmente a partir de uma foto. Depois de pronta e aprovada por quem encomendou, ele molda uma fôrma de silicone, que parece uma bolsa. Para fazer as imagens, coloca o gesso dentro dessa bolsa e deixa por alguns minutos até que o material tome forma. Depois, retira a imagem e esculpe todos os detalhes manualmente. A peça pronta vai para a pintura, totalmente criada e executada por Maurício.
Além da Santa Gianna, ele também criou a imagem de São Crispim Sapateiro e, agora, trabalha no protótipo de Madre Rita, beatificada no mês passado por causa de um milagre operado em Franca.
Uma outra preciosidade de seu ateliê é um protótipo do Relógio do Sol. Ele ainda está em fase de criação e terá 30 centímetros e todos os detalhes que podem ser vistos no relógio que está no meio da praça.
Para elaborar uma peça é preciso ter, principalmente, conhecimento de material. Às vezes, uma lixa de unha é usada para raspar uma peça antes da restauração. “Na maioria das vezes eu preciso ser criativo. Às vezes não existe uma lixa ou uma espátula no formato de que eu preciso, então, tenho que fabricar”, diz. “Também é muito comum usar instrumento de dentistas, que são feitos justamente para trabalhos mais delicados”, completa.
RESTAURAÇÃO
Além da fabricação de imagens, Maurício trabalha com restaurações. Seja de manequins de lojas, imagens centenárias, peças em mármore ou resina. Normalmente, as peças que chegam até ele têm um valor sentimental muito alto e é preciso ter muito cuidado. O trabalho de restauração é ainda mais delicado do que o de criação. Para ficar bom, é preciso saber exatamente qual o material original e respeitar as características originais e a pintura da peça. “Mas depois de pronto ninguém acredita que foi restaurado. Parece que foi comprado novo”, diz. Para restaurar uma peça de mármore, por exemplo, ele mistura pó do mármore moído e adiciona uma resina. É essa massa que ele aplica na peça. “É um trabalho muito interessante você ver uma peça se transformar. Vale a pena”.
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