No fundo de um quintal, sobre um gramado, dentro de casa, na calçada, em frente a uma loja, nas escolas. O local não importa. O que interessa é fazer “palhaçaria”. Coisa que Fábio Fernando, 28, e Hélio Simões, 30, sabem muito bem. Não conseguem nem mesmo dizer com precisão quando começaram. Afinal, desde criança gostam de teatro e, claro, de palhaçadas.
Mas não vamos falar de Fábio e Hélio. Vamos falar, sim, de Lero Lero e Trapizumba, os personagens palhaços que eles interpretam. Depois do rosto pintado, não precisa nem mesmo de roupa para que eles simplesmente se transformem. A voz e a expressão facial mudam rapidamente e o personagem é totalmente incorporado. E é disso que eles vivem. Lero Lero e Trapizumba são o ganha-pão da dupla que participa de festas infantis, inauguração de loja, circo e até mesmo de festas noturnas.
Mas a vida desses palhaços não é fácil. Aulas de balé são uma obrigação pelo menos duas vezes por semana, tudo para garantir a condição física, a flexibilidade e a expressão corporal. Afinal, ficar pendurado em uma corda de cabeça para baixo, fazer números no trapézio, virar cambalhota e andar de perna-de-pau exige muita força, equilíbrio e um corpo em perfeita harmonia. Isso é conseguido também com os treinos semanais da dupla. Há ainda os estudos, fundamentais para o trabalho. Os dois estão sempre participando de cursos em Ribeirão Preto e São Paulo.
Inspirados principalmente na Comédia Dell’arte (veja texto abaixo), Lero Lero e Trapizumba querem mostrar para seu público uma linguagem bem popular, típica da rua, em que a simplicidade é a palavra-chave. Eles não usam nada de requintado, chique, com plumas ou paetês. Pelo contrário, os acessórios são mínimos para valorizar ao máximo a expressão corporal, ponto forte da dupla.
Tanto que depois da maquiagem fica impossível fazer uma entrevista séria. “A gente usa o nosso ridículo para extrapolar”, explica Hélio, ou melhor, Trapizumba. Ridículo? Calma, não é que eles sejam “bregas”, significado com o qual a palavra é rapidamente associada. Na língua portuguesa, ridículo é simplesmente o lado cômico da pessoa, algo que provoca riso. E isso eles provocam mesmo. Seja pelas piadas ou pelas acrobacias e jogos corporais, que também são verdadeiras palhaçadas.
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