As ligações telefônicas gravadas pela Polícia Civil de Franca revelam que os criminosos já desconfiavam que o telefone de Adriana Telini estaria grampeado. Eles chegaram a cogitar, inclusive, que ela poderia ser presa. A advogada, no entanto, parecia não acreditar na possibilidade. Sem imaginar que estava sendo grampeada, falou sobre drogas, ligou para presidiários em cadeias e emprestou seu telefone particular para traficantes.
A preocupação dos criminosos ficou evidente no dia seis de junho do ano passado, quando Evandro Carlos recebeu uma ligação do traficante “Megadrive”, o qual queria saber o preço de um carregamento de maconha. “É preciso ver. Que telefone o cê tá me ligando?”. Ao ser informado que era o de Adriana Telini, ele alertou. “Esse telefone não dá para ficar falando esses baratos aí não, mano”.
Antes de encerrar o diálogo com o traficante, o presidiário faz novo alerta: “Se os caras (policiais) escutar acaba metendo ela na cadeia, ainda. Entendeu, moleque?”. A Polícia Civil escutou e gravou as conversas de Adriana Telini. Ela continua em liberdade e trabalhando normalmente.
O inquérito em que a advogada é acusada de formação de quadrilha será enviado ao Fórum nesta semana. “Ainda precisamos ouvir uma integrante do bando”, disse o delegado Wanir José da Silveira Júnior. Já o inquérito sobre o envolvimento com o tráfico tem um prazo de 30 dias para ser concluído.
JULGAMENTO
O julgamento do pedido de suspensão preventiva da advogada Adriana Telini está marcado para o dia 23 de junho na sede da subseção da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Ribeirão Preto, no bairro Ribeirânia. Adriana será julgada no Tribunal de Ética da OAB. Ao todo, 20 relatores de várias cidades, além do presidente, analisarão o pedido feito pela diretoria da OAB de Franca.
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