`Serra não tem essa garra`


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O senador Aloizio Mercadante visitou recentemente o Comércio da Franca e disse estar motivado para disputar o cargo de governador do Estado. Ele alfinetou o tucano José Serra: “Ele renunciou à prefeitura para concorrer à Presid
O senador Aloizio Mercadante visitou recentemente o Comércio da Franca e disse estar motivado para disputar o cargo de governador do Estado. Ele alfinetou o tucano José Serra: “Ele renunciou à prefeitura para concorrer à Presid
Comércio da Franca - Como está esta pré-campanha ao governo do Estado? As primeiras pesquisas apontam que José Serra vence no primeiro turno. Aloizio Mercadante - Acho uma incoerência com o povo de São Paulo. Ele falou ‘vou ficar até o final na prefeitura, não vou ser candidato a nada’. Assinou uma carta, registrou em cartório, mas era visível que ele não queria ser prefeito. Um ano depois, ele renunciou. E o fez para disputar a Presidência, ou seja, trabalhou o tempo inteiro para disputar a Presidência. E a gente percebe que ele não está nem um pouco motivado para disputar o governo de São Paulo. Ficou dez dias fora (por causa de uma cirurgia), viajou para o interior de São Paulo, mas você não vê aquele empenho, aquela motivação. O Serra não tem esta garra, esta vontade, este entusiasmo que eu tenho. Estou muito motivado e muito animado. Comércio - Qual o grande desafio de São Paulo? Mercadante - Acho que o grande desafio de São Paulo é o movimento migratório de cidades do interior para São Paulo. Está havendo um movimento migratório muito forte, principalmente do Oeste do Estado e do Centro de São Paulo, para a Grande São Paulo, macrorregião de Campinas e Baixada (Santista). Este último tendo recebido aposentados e gente da terceira idade. Vários municípios estão registrando queda absoluta de população, ocasionando um esvaziamento demográfico. O que acontece? Você agrava as condições, por exemplo, de segurança pública, moradia e saneamento básico na Grande São Paulo, enquanto a vida no interior sempre foi muito melhor. É mais inteligente e barato manter as pessoas no interior do que tentar providenciar soluções em toda a Grande São Paulo. E o que falta no interior? Falta projeto de desenvolvimento. O que aconteceu? Você (o governo atual) interiorizou os presídios, o crime organizado - está aí a experiência de Franca, vocês viram - e falta uma política de governo. Falta um instrumento regional que faça este papel de agência de desenvolvimento regional, que articule o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), o Banco do Brasil, a linha de financiamento, que facilite a vida das empresas... Comércio - Mas isso depende mais de ações do “terceiro andar” do Palácio do Planalto (gabinete do presidente Lula)... Mercadante - Não, não! Isso é política de Estado. Esta política de desenvolvimento regional precisa ser arregimentada. Comércio - Mas por que a dificuldade tão grande de os empresários, principalmente pequenos e médios calçadistas, conseguirem um acesso ao BNDES? Mercadante - O BNDES teve um aumento de desempenho, ou seja, desembolso 38% maior este ano em relação a 2005. Então, tem havido um volume muito grande na linha de financiamento... Comércio - No volume, sim, mas e no número de contratos fechados? Mercadante - Este dado eu não tenho de cabeça. No meu livro (Brasil: Primeiro Tempo - Análise Comparativa do Governo Lula) tem tudo isso explicado, bem fundamentado, com dados oficiais que demonstram que o governo atual, do presidente Lula, fez mais pelo País do que o anterior. Mas, voltando ao assunto, acho que tem de haver um instrumento local de desenvolvimento, com agência de desenvolvimento regional, conselho, identificar a vocação econômica da região e articular esses financiamentos. Este é o ponto que você está levantando. Existe linha de financiamento, mas à qual só os grandes têm acesso. O pequeno e o médio empresários não conseguem chegar. Não têm orientação, não sabem quais são os procedimentos, não cuidam para poder ter facilidade... Então, este é o papel de um Estado que estimula o desenvolvimento. Comércio - A oposição acusa o presidente Lula de ter passado os primeiros anos de seu governo “gozando” de resultados do governo anterior, de Fernando Henrique Cardoso. O que pensa disso? Mercadante - Em qualquer área podemos comparar e mostrar consistência do nosso governo em relação ao de Fernando Henrique Cardoso. Os exemplos vão das exportações, passando pelo saldo comercial e dívida externa até a dívida pública, a herança mais perversa de FHC. De Pedro Álvares Cabral a Itamar Franco, a dívida era de R$ 77 bilhões. Em oito anos (de governo FHC), a dívida foi para R$ 876 bilhões. Comércio - E o pífio crescimento de 2,3% do Brasil em 2005? Mercadante - Nos últimos vinte anos o Brasil vem crescendo abaixo da média mundial. Não é novidade. Só que, em termos de participação no comércio mundial, o Brasil, hoje, está muito melhor do que antes. Em 2004, tivemos 4,9% de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto). Foi o melhor dos últimos dez anos. O PSDB não tem como comparar o governo Fernando Henrique ao governo Lula. Em nenhum aspecto. Toda vez que compara, a gente cresce. Comércio - O senhor é pré-candidato ao governo de São Paulo e viu nos últimos anos um verdadeiro show “pirotécnico” de candidatos em diversos espaços da mídia tentando conseguir votos. Também utilizou showmícios, entre outros artifícios, para conquistar o eleitor. Como o senhor fará agora, com a restrição de showmícios e brindes em virtude da reforma política? Mercadante - Acho que fizemos uma reforma política ainda incompleta, mas relevante porque ela reduz substancialmente os gastos de campanha e com isso você reduz o peso do poder econômico nas eleições. Ao proibir showmícios, brindes, outdoors, enfim, uma restrição drástica de gastos, só aumenta a transparência e o controle do processo democrático, possibilitando as penalidades em relação aos candidatos. Eu acho que são medidas fundamentais para que possamos superar este problema que é recorrente no Brasil. Espero que o debate político prevaleça e que o eleitor faça a opção pelas propostas que estão sendo e serão apresentadas, pela consistência do que está sendo dito e, seguramente, iniciativas como esta contribuem decisivamente para que isso ocorra. Colaboraram Corrêa Neves Júnior, Vinicius Araújo e Wildnei Teodoro.

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