Carta anônima ameaça de morte bandidos delatores


| Tempo de leitura: 2 min
Uma ocorrência aparentemente banal registrada esta semana pela Polícia Militar no Jardim Luíza II, zona norte de Franca, trouxe à tona informações que podem ser mais uma prova da organização dos criminosos que atuam na cidade. No caso em questão, uma carta de uma lauda e meia oficiava à bandidagem, por escrito, uma lei que impera no mundo do crime: quem delatar os companheiros será morto. A espécie de ‘memorando’ aos criminosos foi apreendida durante patrulhamento de rotina feito pela PM, na tarde de quinta-feira, na Rua Éder Bruno Ferro. Ao passarem diante de uma residência, os policiais desconfiaram do comportamento de algumas pessoas e resolveram abordá-las. No local, um grupo formado por sete indivíduos, entre eles cinco menores, bebia vinho e comia carne. No interior da residência foram apreendidas algumas peças de moto, uma imitação de arma, uma máscara de gorila e um CD com o “Rap do PCC” em que são cantadas músicas com mensagens ofensivas à polícia. O que mais chamou a atenção, no entanto, foi uma carta manuscrita (e repleta de erros de português), a qual faz um alerta e ameaça de morte os “caguetas”, ou seja, aqueles criminosos que entregam o companheiro. Com o título “Salve Geral Sistema e Luz”, a carta informa a todos os irmãos e companheiros que a partir do dia 9 de maio de 2005, quem vier a “caguetar” ou auxiliar a polícia para se beneficiar, do que chamam de “patifaria”, estaria condenado à morte, após tudo comprovado. O memorando aos criminosos faz uma observação: na hipótese de o delator fugir, a dívida será cobrada de seus familiares. Seriam poupados apenas crianças e adolescentes até 15 anos. “Só tem um forma da família do patife não ser decreta (morta): se ele, no prazo de 24 horas, tirar sua própria vida”. A carta não registra nomes e a assinatura é feita por alguém que se define como “Sintonia Geral”. A Polícia Civil não tem informações sobre a origem do panfleto. Pelas expressões usadas, teriam sido feitas por presidiários. As pessoas detidas com a carta não possuíam antecedentes criminais e foram liberadas. Não disseram onde obtiveram a correspondência. “Acredito que a carta tenha saído da cadeia. Em toda organização existem regras e hierarquia. No crime, não é diferente. Estou investigando se as pessoas detidas com a carta estão envolvidas em crimes na cidade. Se não integram alguma facção criminosa, este é o desejo deles”, disse o delegado Hélder Rodrigues.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários