A cidade de São José da Bela Vista foi usada como base de uma quadrilha que age em todo o País aplicando o golpe do seguro. Criminosos forjaram a morte de um suposto morador do município para receber a indenização do DPVAT (Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre), um seguro obrigatório pago à família das vítimas de acidentes. O esquema acaba de ser descoberto pela Polícia Civil, mas os responsáveis ainda não foram identificados. É possível que moradores da cidade estejam envolvidos.
O golpe consiste em falsificar o Boletim de Ocorrência, o laudo médico, o atestado de óbito e os documentos de carros envolvidos num acidente para receber o seguro. O valor pago pelo DPVAT em caso de morte é de R$ 10,3 mil. No caso de São José, os golpistas forjaram a morte de um suposto entregador chamado Edinaldo Almeida Martins, 35.
Ele teria se envolvido em um acidente no dia 8 de novembro de 2005, às 12h30, na esquina das Ruas Anselmo Diniz e 19 de Março. A motocicleta que a vítima pilotava derrapou em razão do fato de haver areia na pista e o arremessou ao solo. Edinaldo teria batido a cabeça na guia da calçada e morrido na hora. O referido acidente nunca existiu.
FALSO BO
Para dar veracidade aos fatos, os golpistas falsificaram um Boletim de Ocorrência, que teria sido feito na delegacia da cidade e registra o acidente fatal. “A falsificação é grotesca: o número do boletim não corresponde ao de uma cidade do porte de São José, o escrivão que assina o documento não existe e até mesmo o endereço da delegacia que aparece no documento está errado”, disse o delegado Hélder Rodrigues.
Além do BO, também foi falsificado o atestado de óbito da “vítima”. Os documentos oficiais apresentam carimbos de autentificação de um cartório de Ribeirão Preto. Ainda não foi confirmado se é mais uma fraude.
GOLPE DESCOBERTO
O golpe foi descoberto na última quinta-feira, quando, em um procedimento de rotina, a empresa prestadora de serviços contratada pelo DPVAT entrou em contato com a delegacia de São José para confirmar a autenticidade e possíveis divergências do BO.
Imediatamente, os representantes de firma foram informados de que a ocorrência era falsa e que estavam diante de um golpe. Os valores não chegaram a ser pagos. A Polícia Civil abrirá inquérito para apurar o caso. “Vamos trabalhar, agora, para tentar descobrir onde e quem deu entrada na documentação para receber o seguro. Não descartamos a participação de moradores da cidade no golpe”. Os responsáveis serão processados por uso de documento falso, falsidade ideológica e estelionato.
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