Crianças pelo chão, mães com recém-nascidos chorando nos braços e horas de espera por atendimento. Este foi o panorama encontrado no Pronto-Socorro Infantil na tarde de ontem. Dezenas de mães reclamavam da demora das consultas. Algumas delas disseram que chegaram por volta do meio-dia e até as 16 horas ainda não haviam sido atendidas. A sala de espera estava lotada, não havia mais espaço para ninguém. Devido ao estresse, até uma briga entre mães aconteceu. “Aqui, hoje, já teve de tudo, mães brigando, outras desmaiando. Isso é uma vergonha, nossos filhos presenciando estas situações”, disse Flaviana Leandro da Silva, mãe de uma criança à espera de atendimento, que segundo ela chegou às 12 horas.
A falta de planejamento no atendimento poderia ser um dos motivos da aglomeração de mães com seus filhos doentes no início da tarde de ontem. Por algumas horas, apenas dois médicos realizavam consultas e não havia triagem nos casos mais urgentes. Fato constatado no caso de uma criança que introduziu um palito de fósforo no ouvido. O garoto de apenas 4 anos chegou nos braços da avó às 11h45, sendo atendido somente por volta de 16h20.
Para Luana Cristina Santos, 24, moradora do Jardim Tropical, o pronto-socorro deveria ter mais médicos. “Um lugar que só tem dois médicos atendendo esse tanto de crianças com febre é um sofrimento”, disse a dona de casa. Os próprios funcionários se encarregaram de chamar o chefe da divisão de atendimento da Secretaria Municipal de Saúde, Batista Davi Neto, que esteve no Pronto-Socorro para analisar o que estaria acontecendo. Segundo ele, o horário de descanso dos médicos coincidiu com o fluxo de pacientes fora do normal. “Como já estava preestabelecido este descanso, não tivemos como mudar, mas conversei com o médico e conseguimos fazer ele adiar seu repouso e temos agora três profissionais atendendo”, disse Davi Neto.
Não é a primeira vez que pacientes reclamam do atendimento no Pronto-Socorro Infantil. A revolta da maioria das mães que levam seus filhos com febre, vomito e dores, é vê-los reclamando e se sentirem impotentes diante de tanto descaso.
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