O drama vivido por Jhéck Brenner de Oliveira, 5, e sua mãe, Rosemara dos Santos Souza, 23, desde quando o pai do garoto anunciou que pretendia pedir a eutanásia para o filho, assumiu novos contornos. Jhéck deixou a UTI do Hospital Unimed e há mais de cem dias está sob os cuidados da mãe. Esse era o maior sonho de Rosemara, mas os problemas estão longe do fim. O garoto sofre de uma doença degenerativa rara e não fala nem movimenta pernas, braços e pescoço. Ficou internado durante dez meses e, nesse período, Rosemara o visitava todos os dias e passava cerca de seis horas ao seu lado. Desde que o filho foi transferido para casa, no dia 16 de fevereiro, a dedicação dela passou a ser de 24 horas. A criança está bem. Quem precisa de ajuda agora é a mãe.
O dia de Rosemara começa às 6 horas e só termina depois da meia-noite, após as trocas de fraldas, dietas (alimentação feita por sonda), medicação, sessões de fisioterapia, banho, colocar o filho no aparelho de ventilação mecânica de quatro em quatro horas, dar voltas ao redor da casa com ele numa cadeira de rodas infantil e cuidar das tarefas domésticas. Pela madrugada, ela também costuma acordar para verificar se ele está bem. Jhéck fica em uma mini-UTI montada num dos quartos da casa e precisa seguir horários rigorosos. “Não abro mão do Jhéck em casa, mas tem horas que o corpo cansa e falta apoio de alguém. Minha família está com outros problemas... Preciso de ajuda”. Ela não tem contato com o pai de Jhéck, o recepcionista Jeson de Oliveira, desde 2005, quando ele anunciou, em entrevista ao Comércio da Franca, que pediria na Justiça eutanásia do filho, intenção que ele abandonou depois do apelo de Rosemara e da repercussão nacional e internacional que o caso obteve.
Sozinha com a criança, conta com ajuda de voluntários. São doações de Nutren (complemento alimentar), fraldas, cestas básicas da comunidade, igrejas e empresas e auxílio de algumas vizinhas. Jhéck pesa 28 quilos e Rosemara não consegue segurá-lo sozinha na hora do banho. Jhéck não pode ficar sem companhia em momento algum e quando a mãe precisa sair para realizar tarefas simples, como pagar as contas (telefone, água, etc.), as vizinhas ficam com o garoto ou ele fica internado pelo menos um dia por mês no Hospital Unimed. “As minhas vizinhas me ajudam bastante, mas preciso de mais alguém mesmo que fosse só para conversar comigo. Me sinto sozinha demais”.
Desde que o filho ficou doente, Rosemara não trabalha. Eles vivem com o auxílio-doença de R$ 300 que a criança recebe. “Quero estar em casa e com boas condições para mantê-lo ao meu lado e feliz”.
PALAVRA MÉDICA
A médica Rita de Cássia Berteli Fontes é uma das que acompanham o caso do Jhéck e disse que a criança está muito bem em casa e estável. Rita reafirmou que as portas do Hospital Unimed estão abertas para receber o garoto. “Já avisamos que se o Jhéck precisar ficar na UTI do hospital, o leito dele está à disposição”.
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