Após cinqüenta dias da Solenidade da Páscoa, a Igreja celebra a festa de Pentecostes: recorda o momento que os apóstolos receberam o Espírito Santo. Os apóstolos estavam reunidos com Maria no Cenáculo, em forma de chamas de fogo vem sobre eles o Espírito Santo, e o pequeno rebanho se tornou Igreja, isto é, Corpo de Cristo. O Pentecostes é o natal da Igreja, como o Natal havia sido o pentecostes de Jesus. A presença de Nossa Senhora no cenáculo vem a calhar para chamar a atenção sobre essa ligação entre o nascimento de Jesus e o da Igreja; aquela que fora a Mãe de Jesus, torna-se agora também a Mãe da Igreja. Estava finalmente realizada aquela “obra nova” que Deus vinha anunciando aos homens. Por isso a liturgia da missa de Pentecostes, no salmo de resposta à primeira leitura, aplica ao evento do Pentecostes aquelas vibrantes palavras que haviam servido para exaltar o prodígio da criação: “Envia o Teu Espírito Senhor, e tudo será criado, e renovarás a face da terra”.
Os apóstolos com coragem abrem as portas do Cenáculo e enfrentam aqueles que queriam mata-los e falam também àqueles que acreditavam em Jesus e todos entendem na sua própria língua. Não é uma misteriosa língua nova, mas falam com um poder novo a sua língua habitual, de tal forma que os que os ouvem, entendem como se falassem a sua língua, e ficam maravilhados. É o sinal do reencontro da unidade do gênero humano.
O Pentecostes é o contrário do fenômeno da Babel- símbolo do desentendimento- passando a reinar a comunhão.
Na Igreja, os homens devem redescobrir-se irmãos, devem poder novamente comunicar-se entre si através de uma mesma linguagem, que é a linguagem do amor derramada nos corações pelo Espírito Santo.
O prodígio que aconteceu no dia de Pentecostes continua ainda hoje. A Igreja fala e compreende as línguas de todos os povos; ela entende e valoriza a cultura e o patrimônio de cada raça e de cada povo, e cada povo entende o seu anúncio como próprio , destinado a si.
A ação do Espírito Santo em nós se dá através dos seus dons e das suas virtudes. As virtudes teologais são: a Fé, a Esperança e a Caridade.
As virtudes cardeais são: Prudência, Justiça, Fortaleza e Temperança.
Os sete dons do Espírito Santo são: Sabedoria, Inteligência, Conselho, Fortaleza, Ciência, Piedade e Temor de Deus.
As sete obras corporais de misericórdia são: dar de comer a quem tem fome; dar de beber a quem tem sede; vestir os nus; dar pousada aos peregrinos; auxiliar os enfermos; visitar os presos e enterrar os mortos.
As sete obras espirituais de misericórdia são: dar bom conselho; ensinar os ignorantes; corrigir os que erram; consolar os tristes; perdoar as injúrias; suportar com paciência as fraquezas do nosso próximo e rogar a Deus pelos vivos e pelos defuntos.
Os conselhos evangélicos são: a pobreza, a castidade no celibato, pelo Reino e a obediência.
Para pedir o Espírito Santo, reze:
“Vinde, Espírito Santo! Enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra.
Oremos: Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis, fazei que apreciemos retamente todas as coisas e gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo Senhor nosso. Amém.
PADRE JOSÉ GERALDO SEGANTIN é pároco da Catedral de Franca.
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