O primeiro dia de visitas na Cadeia Pública do Jardim Guanabara, após, a rebelião do dia 14 de maio foi marcado por uma enorme fila e muitas reclamações de familiares dos detentos. A mudança do dia de visitas, a redução no horário e a proibição dos presos deixarem as celas foram as principais origens de queixas.
A sapateira Tassiane Cristina Dionísio, 25, foi à cadeia para ver seu marido e ficou revoltada. Ela disse que teve de pedir para o patrão liberá-la para que pudesse ir ao presídio. “Quinta-feira é dia útil. Todo mundo trabalha. Acho que essas limitações não vão ajudar em nada. Ao invés de acalmar o ambiente pode até tumultuar mais, pois os presos ficam revoltados com tudo isso”, disse.
Quem também reprovou as mudanças foi a dona de casa Bruna Aparecida Costa, 18. Seu marido está preso no Jardim Guanabara e ela tem de vir de Ibiraci, onde mora, a Franca para visitá-lo.
Ontem, seu temor era o de ir embora sem conseguir vê-lo. “O horário antes, aos domingos, era maior (das 9h às 13h). Agora, além de ser dia ‘de semana’, a polícia só libera duas horas (das 9h às 11h). Já são dez horas e nem olharam minha sacola ainda”, disse a moça.
A proibição de os presos deixarem as celas durante o contato com os familiares foi outro fator que causou revolta. A dona de casa MNN, 19, disse que os presos estão sendo tratados como “animais”. “A gente vê os parentes pelas grades; é igual ver bichos em um zoológico. Não faz sentido. Fico arrasada com essa situação”, disse. MNN creditou a culpa aos próprios presos pelas restrições. “Eles também erraram. Não deveriam ter feito aquela rebelião com todo mundo lá dentro. Se não fosse por aquilo, nada disso aconteceria”, disse, chorando.
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