A geografia da Câmara


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À esquerda, a Esquerda. À direita, a Direita. A posição das cadeiras dos vereadores na Câmara Municipal de Franca deixa poucas dúvidas quanto ao posicionamento político que cada um ocupa no jogo de poder municipal. Apenas Nirley de Souza e a mesa diretora da Casa fogem a uma tradição que remonta à época da Revolução Francesa. Em 1789, os membros da Assembléia Francesa se dividiam geograficamente de acordo com as posições ideológicas. À direita do plenário, figuravam os girondinos, representantes da ala conservadora da burguesia: a situação. À esquerda, estavam os jacobinos, a pequena burguesia que almejava poder político: a oposição (leia mais no site do Comércio). Em Franca (sem o cedilha), mais de dois séculos depois, a divisão se repete. Vereadores do PT e do PSB ocupam cinco das seis cadeiras à esquerda do plenário. “Só se alguém do PSOL for eleito para ser mais oposição do que eu”, brinca o petista Gilson Pelizaro. Valter Gomes, líder do PSB, tenta se passar por imparcial. “Somos um partido independente”. Mas o largo sorriso no rosto e o histórico das votações na Casa complementam a frase: apenas no discurso. A sexta cadeira da turma à esquerda do plenário é ocupada por Nirley de Souza (PSC). Ele é o único que não aceita a posição geográfica. “Voto pelos interesses da cidade”, diz ele, que se senta bem próximo da “fronteira” com a Direita. Talvez, por isso, não seja raro seu voto dar uma mãozinha a Sidnei Rocha (PSDB). Jepy Pereira (PSDB) é quem melhor representa o espírito girondino na Câmara de Franca. “Sou direitista sim”, diz o líder do governo. “Minha posição é estratégica. Daqui tenho acesso a todos os companheiros de bancada e posso negociar as aprovações”, explica. E os outros cinco membros do bloco da Direita geralmente dizem amém às mensagens de Sidnei transmitidas por Jepy. Na mesa diretora estão outros três votos “simpáticos” ao prefeito. Marcelo Mambrini (PMN), Marcelo Valim e Zezinho Cabeleireiro (PTB) não tiveram pudor em admitir: “Somos de Direita”. Essa parece ser a principal divergência na cartografia da Câmara. A mesa, ao centro do plenário, é toda de Direita. Confuso? A política explica.

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