Um grupo de 51 trabalhadores rurais vindos de Pernambuco e Alagoas denunciou ontem à reportagem uma empreiteira de Serrana (SP) por exploração de trabalho. Contratados para o corte de cana em áreas da Cevasa (Central Energética Vale do Sapucaí), em Patrocínio Paulista, eles alegam que trabalham em condições de precariedade, faltam equipamentos de proteção individual (EPI), os ônibus que os transportam para o corte de cana possuem fileiras de cinco bancos para comportar mais cortadores e o pagamento, quando é feito, tem preço vil.
Para se ter uma idéia do problema deste último item, em algumas situações, de acordo com os trabalhadores, a empreiteira oferece entre R$ 0,15 e R$ 0,27 por metro colhido de cana. Para “ganhar o dia”, um canavieiro sob estas condições deve colher no mínimo 200 metros de cana diariamente, para receber R$ 30, o que representa cerca de 10 toneladas diárias.
Se mantiver o rendimento, em um mês trabalhado, descontando apenas os domingos, o canavieiro receberá R$ 780. “Mas tem canavial que não rende isso. A média hoje na nossa turma é de R$ 500 por mês”, disse Antônio Belarmino Flor, 23. O salário mal dá para pagar as contas da família de muitos que vivem de aluguel em Patrocínio Paulista.
Erivan José da Silva, 28, é um exemplo. Morando com a mulher e os quatro filhos em uma casa de três cômodos e em condições precárias, o trabalhador paga R$ 150 de aluguel e R$ 30 de água e luz e, em maio, já deve quase R$ 300 na mercearia. “Pensava em vir para cá (Estado de São Paulo) ganhar dinheiro, mas estou é endividado. Se eu pudesse, voltaria hoje mesmo para casa”, disse Erivan. Para voltar para São Benedito do Sul, em Pernambuco, o cortador de cana ainda tem que pagar uma dívida com o ônibus clandestino que o trouxe para a região, que fica em torno de R$ 800.
EXPLORAÇÃO
Antônio Belarmino Flor acredita que isso seja uma espécie de trabalho escravo ou caso de exploração. Para piorar, a empreiteira Aires Henrique Selegato EPP, responsável pela contratação dos 51 canavieiros, efetuou o último pagamento com cheques sem fundo.
“Pagamos as compras e um tempo depois o dono do mercado veio dizer que os cheques estavam sem fundos. Agora não vai vender mais para a gente, pois já disse que não vai receber se for em cheque e no nome do empreiteiro”, disse Edielson Lima da Silva, 30.
Procurada ontem, a DRT (Delegacia Regional do Trabalho) de Franca estava em greve. Há dúvidas se existe irregularidade nos contratos. No final da tarde, os telefones informados pelos trabalhadores da empreiteira não atenderam.
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