Os cinco vereadores de Ribeirão Corrente, da base de apoio ao prefeito Aírton Montanher (PT), se reúnem às 9 horas de hoje para tentar, mais uma vez, afastar o presidente da Câmara, Luzimar Batista (PMDB), acusado de superfaturamento nas obras de ampliação do prédio da Casa. A primeira tentativa aconteceu na noite de terça-feira, quando mais de 200 pessoas se aglomeraram no plenário para acompanhar a leitura do relatório final da CEI (Comissão Especial de Inquérito) aberta há quase 60 dias. O grupo faz parte da CEI.
Sem revelar valores, o documento aponta que os gastos com material de construção para a obra do Legislativo foram superfaturados, o que é desmentido pelo presidente da Casa. Não se sabe se todos os vereadores, inclusive Batista, comparecerão na sessão extraodinária marcada para esta manhã, pois, para o grupo da oposição, a CEI é inexistente, apesar de legalmente constituída.
“Ela foi arquivada, simplesmente não existe mais. Os vereadores não aprovaram a criação de uma CEI”, disse Batista, que não reconhece a CEI. Na noite de terça-feira, a situação viu a sessão encerrada por Batista 10 minutos após ser iniciada diante do tumulto formado entre os vereadores e também a população, que chegou a ser impedida de entrar no plenário pelo presidente da Casa.
Como não conseguiu apresentar o relatório na terça-feira, o vereador Genézio de Oliveira (PSDB) afirmou que hoje ele será lido e chegou a convocar a população. “Além de ler o relatório, vamos pedir o afastamento do presidente e convocar a suplente Carmem Bertanha para acompanhar as reuniões”, disse Oliveira.
Luzimar Batista, apesar de muito irritado durante a tensa sessão de terça-feira, se mostra tranqüilo. “Eles estão denegrindo a minha imagem, soltando panfletos por toda a cidade com informações mentirosas. Dizem que comprei 8 mil tijolos para a obra, mas na verdade foram 6 mil. Se eu souber quem foi o autor desse panfleto entro na Justiça contra ele”, disse o presidente do Legislativo.
Batista é acusado de superfaturar a obra. Apesar de não revelar os gastos, o parecer técnico de engenharia, divulgado no relatório da CEI, aponta, entre outras irregularidades, a compra de 1.898 quilos de ferro ou aço, quando seriam necessários 893 quilos (pouco menos da metade). “Não existe lei interna que garanta os trabalhos da CEI”, afirmou Batista. Mesmo assim, os vereadores da situação prometem dar seqüência dos trabalhos. “Há muita coisa irregular. Não vamos desistir de tirá-lo”, disse Fernando Antônio Bertanha (PPS), que compõe o grupo dos cinco.
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