Às vésperas da Copa do Mundo (o mundial começa no dia 10), o programa Linha Direta traz novamente à tona um episódio traumático para os brasileiros: o roubo da Taça Jules Rimet, símbolo do tricampeonato mundial do futebol canarinho.
O programa mostrará desde o planejamento do crime até sua execução. As pesquisas para reconstruir a história foram feitas com policiais, investigadores e com base no processo e em arquivos de notícias. O programa também terá depoimentos de ex-jogadores como Pelé, Rivelino e Gérson, que falam sobre o significado do roubo da taça para o País. No elenco estão os atores Mário Schoemberger, Chico Diaz, Luiz Nicolau, Anderson Müller e Enrique Diaz.
Para que nenhum detalhe escapasse à cobertura, a pesquisa do roteiro começou ainda no ano passado. Até mesmo uma réplica da taça foi feita pela produção. As gravações terminaram há algumas semanas. Foram feitas em alguns dos locais do Rio de Janeiro onde os fatos realmente se passaram, como a Praça Mauá e a Quinta da Boa Vista, mas muitas das cenas foram gravadas no Projac.
O ROUBO
No dia 19 de dezembro de 1983, a Taça Jules Rimet foi roubada da sede da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Além de um atentado contra a maior paixão dos brasileiros, o crime expôs a negligência da CBF. O troféu (que pesava quatro quilos - sendo 1,8 quilo de ouro puro - e tinha 30 cm de altura, incluindo uma base de mármore para seu apoio) estava exposto em uma vitrine, com vidro à prova de balas, mas emoldurada por madeira, enquanto uma réplica ficava guardada no cofre.
O crime foi planejado pelo representante do Atlético Mineiro na CBF, Sérgio Pereira Ayres, o Sérgio Peralta. Ele era assíduo freqüentador do prédio da entidade e sabia que a Taça Jules Rimet original estava fragilmente exposta em uma vitrine. Na noite de 19 de dezembro de 1983, o ex-policial Francisco José Rocha Rivera, o Chico Barbudo, e o decorador José Luiz Vieira da Silva, o Luiz Bigode, dominaram com facilidade o único vigia do prédio, arrombaram a moldura e removeram o vidro inquebrável.
O crime só foi desvendado por causa do ladrão Antonio Setta, conhecido como “Broa”, considerado pela polícia o melhor arrombador de cofres do Rio de Janeiro. Ele tinha sido convidado por Sérgio Peralta para cometer o crime, mas se recusou por razões sentimentais.
A polícia descobriu que a taça fora comprada e derretida pelo comerciante de ouro Juan Carlos Hernandez, um argentino que vivia no Brasil desde 1973. No decorrer do processo, o ouro apreendido com os acusados, que seria o resultado do derretimento da taça, foi roubado pela polícia. A sentença só veio em 1988. Peralta, Barbudo e Bigode foram condenados a nove anos de cadeia.
Hernandez pegou uma pena de três anos. Nenhum dos condenados passou muito tempo na cadeia. Barbudo foi assassinado em 89. Peralta só foi preso em 1994 e, três anos depois, ganhou a liberdade condicional. Morreu em 2003. Bigode ficou foragido até 1995, quando foi preso. Mas em 98 já estava livre. O argentino nunca passou um dia na prisão por conta da Taça Jules Rimet. Esteve preso durante anos, mas por tráfico de drogas, e já está em liberdade.
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