Safra do café começa com temor de crise entre os produtores


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Ana Alves de Souza participa da colheita de café na Fazenda Santa Teresinha
Ana Alves de Souza participa da colheita de café na Fazenda Santa Teresinha
A safra 2006/2007 do café, que começou em todo o País há três semanas, foi oficializada quarta-feira passada, dia 24, com o Dia Nacional do Café. As comemorações, no entanto, param por aí. À beira do “carreador”, com a calculadora na mão, o agricultor teme prejuízo na hora de vender seu produto. Com a saca de 60 quilos vendida por R$ 243 nos últimos dias, e um custo da produção que ficou em torno de R$ 230, segundo estimativas do setor, o cafeicultor se sente sob a ameaça de “pagar” para vender a sua produção. Principalmente se a tendência de queda de preço se mantiver. Mesmo a reação do dólar em relação ao real registrada nos últimos dias não tem animado o setor, que permanece cético diante das incertezas do cenário econômico. Cafeicultores do País inteiro já iniciaram a colheita, uns mais cedo, como na região produtora do Paraná (veja quadro nesta página), e outros mais tarde (Araraquarense e Sul de Minas Gerais). A movimentação influenciou na queda do preço no mercado nacional. “Mas ainda não é o que nos preocupa. A tendência mundial é de equilíbrio entre oferta e demanda de café e os preços tendem a ficar em patamares adequados. O problema ainda é a taxa de câmbio, que torna impraticável o ajuste de contas do produtor”, disse Maurício Miarelli, presidente da Cocapec (Cooperativa dos Cafeicultores e Pecuaristas de Franca e Região) e do CNC (Conselho Nacional do Café). Com a saca de 60 quilos de café cotada no mercado futuro da BM&F (Bolso de Mercadorias e Futuros) em média a US$ 118 (cotação de ontem para entrega em setembro de 2006) e o dólar fechando em aproximadamente R$ 2,31, o produtor teria uma margem de lucro de R$ 42,50 por saca, vendendo o produto a R$ 272,50. O número é considerado baixo em razão dos custos operacionais das fazendas durante a entressafra e também do custeio de estocagem e pagamento de dívidas antigas. “Para compensar, o lucro deveria ser três vezes maior que esse, no mínimo”, disse Miarelli. “Não dá prejuízo, mas ainda não é o ideal”. De acordo com Maurício Miarelli, há quatro anos o cafeicultor espera por receita no terreiro para compensar as últimas defasagens e prejuízos. “O ganho com o café é cíclico e o produtor se mantém por saber que o ano seguinte será melhor. Este ano, por exemplo, era de expectativa de ganhos, mas se a política macroeconômica que está em andamento não mudar, o setor pode ser prejudicado”.

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