O pastor evangélico Edilson Fernando Flávio, 36, foi seqüestrado e mantido como refém por quatro criminosos na noite de segunda-feira. Durante as 16 horas em que ficou nas mãos dos bandidos, foi espancado e baleado. Levou quatro tiros e ficou com duas balas alojadas no corpo. Mesmo ferido, conseguiu escapar do cativeiro e pedir socorro. Numa rápida ação, a Polícia Militar deteve quatro acusados. Eles negaram o crime, mas foram autuados em flagrante por extorsão mediante seqüestro e formação de quadrilha, sendo recolhidos à cadeia do Jardim Guanabara.
A história protagonizada pelo pastor é recheada de entranhas e detalhes mirabolantes. Indivíduo com várias passagens policiais, ele é dono de um pequeno supermercado localizado na Rua Francisco Cunha, no City Petrópolis. Foi lá que a ocorrência começou. Faltavam 15 minutos para as 19 horas, quando o pastor/comerciante deixou o estabelecimento em seu veículo Golf prata para entregar mantimentos no valor de R$ 94 em uma casa na Fazenda Petrópolis, localizada nos fundos do bairro.
O lavrador Claudinei Soares da Silva, 21, responsável pela compra, seguiu de carona com ele em seu carro. Ao chegar no local da entrega, a vítima foi agredida. “Logo que entrei, tomei uma paulada na cabeça. Corri para o banheiro para tentar chamar a polícia, mas eles foram atrás e me deram quatro tiros”.
O pastor foi atingido de raspão na cabeça, no ombro, no braço esquerdo e no pé. Pelo menos dois projéteis ficaram alojados em seu corpo. Após ser baleado, ele foi amarrado e colocado em um quarto. Durante o tempo em que foi mantido como refém, recebeu ameaças de morte. Os seqüestradores chegaram a exigir R$ 200 mil para liberá-lo. Como disse que não possuía tal quantia, eles disseram que matariam seus familiares.
No início da manhã de ontem, entregou alguns cartões de crédito aos criminosos. Três dos indivíduos deixaram o cativeiro para tentar sacar o dinheiro e ele permaneceu vigiado por apenas um indivíduo. Por volta de 11 horas, o vigia teria dormido. “Foi quando aproveitei para fugir”.
Com medo de ser encontrado, o pastor ficou escondido no meio do mato até quase as 15 horas. Depois, caminhou até a Fazenda Amapá, onde pediu socorro. Informada, a Polícia Militar seguiu para o local e encontrou a vítima com vários ferimentos pelo corpo. Seguiram até uma casa simples localizada nos fundos na fazenda, onde seria o cativeiro. No local, encontraram várias capsulas deflagradas e manchas de sangue.
No início da noite, após conversar com a vítima e obter informações sobre os envolvidos, policiais militares fizeram buscas pelo City Petrópolis e detiveram os primos Adão Vieira dos Santos, 18, Claudinei Soares da Silva, 21 e Paulo Sérgio Vieira dos Santos,18. Por volta de 22 horas, também foi preso Moacir Ferreira da Silva, 24. “Eles negam, mas foram reconhecidos pela vítima. Além disso, as investigações iniciadas pelo 5º DP desde o seqüestro dão claramente a demonstração de que estão envolvidos”, afirmou o delegado plantonista Luiz Carlos Almeida.
Segundo o delegado Hélder Rodrigues, que investigava o caso desde segunda-feira, os acusados já eram acompanhados de perto como os principais suspeitos. Para o policial, o fato de o pastor ter extensa ficha criminal nada significa. “Depois que foi solto não teve mais problemas com a polícia. A princípio, acreditamos que ele, realmente, foi seqüestrado e que tentaram extorqui-lo”.
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