Carmen Steffens ameaça deixar Franca


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Mário Spaniol reclama de falta de diálogo com o Sindicato dos Sapateiros
Mário Spaniol reclama de falta de diálogo com o Sindicato dos Sapateiros
A Carmen Steffens, fabricante de calçados femininos de alto padrão, pode deixar Franca. A ameaça partiu do proprietário da empresa, Mário Spaniol, após conflitos com o Sindicato dos Sapateiros. A razão da briga seria a tentativa de implantar um banco de horas na indústria. O sindicato é contra. Spaniol acusou os sindicalistas de tentar jogar os funcionários contra a empresa e de promover desordem na porta da Carmen Steffens. “São uns anarquistas. Acham que têm direito de vir aqui e detonar todo mundo. Tentamos uma reunião para discutir o assunto, mas eles se acham importantes demais para conversar”, reclamou Spaniol. “Se acham os donos de Franca e metem o nariz onde não são chamados. Eles têm visão do século passado. Aqui não cabe bagunça. Ou entendem isso, ou se mudam para a Bolívia ou Cuba”. O presidente do sindicato, Paulo Afonso Ribeiro, contesta: “Não houve bagunça. Realizamos uma assembléia com os trabalhadores, nada mais. Quanto ao banco de horas, não temos o que conversar, pois esse recurso não existe em nossa categoria. Só serve para a empresa não pagar horas extras”. Sobre a hipótese de a Carmen Steffens deixar Franca, Spaniol disse que é real, até pela receptividade que a indústria tem em todo País. “Esse é um caminho que já foi seguido por empresas como Pé-de-Ferro, Democrata, Agabê e Samello, que abriram filiais no Nordeste. Mais de 500 cidades adorariam nos receber. Se não somos bem-vindos aqui, vamos embora”, anunciou Spaniol. E acrescentou: “Só sinto pelas mais de duas mil famílias que dependem de nosso grupo”. Paulo Afonso Ribeiro reconhece que a perda da fábrica seria lamentável para Franca, mas não acredita que isso possa acontecer. “Não é novidade uma empresa não conseguir determinada mudança e ameaçar demitir ou ir embora. Acredito que a Carmen Steffens terá bom senso e agirá de acordo com o que determina a legislação. O trabalhador não quer o banco de horas”, concluiu.

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