O secretário de Planejamento e Gestão Econômica, Sebastião Manoel Ananias, prestou contas dos quatro primeiros meses do governo municipal em 2006, na tarde de ontem, na Câmara Municipal.
Ananias disse que a saúde financeira da prefeitura ganhou fôlego em relação ao ano passado e comemorou uma redução drástica na dívida de Franca. Segundo ele, de R$ 149 milhões para R$ 82 milhões nos 16 meses de governo de Sidnei Rocha (PSDB), ou seja, uma queda aproximada de R$ 4,18 milhões a cada 30 dias. Seu antecessor, Gilmar Dominici (PT), contesta os números.
Ananias disse que a redução na dívida foi possível com a realização de um rígido controle nos gastos da prefeitura. Entre as medidas mais radicais, Ananias disse que tirou de circulação carros que consomem muito combustível e que a administração adquiriu quatro veículos mais econômicos. Ananias também questionou funcionários sobre ligações telefônicas interurbanas. “Tinha chamadas para Lages (SC), Uberaba (MG), Uberlândia (MG). Quis saber o motivo das ligações”.
Nos próximos dias, temporizadores serão instalados nos ramais da prefeitura para tentar reduzir o valor da conta telefônica. Com o aparelho, após cinco minutos de conversa, a linha cai automaticamente. “Coloquei em minha própria casa e a tarifa caiu de R$ 200 para R$ 80”, disse Ananias. Até a iluminação pública do Jardim Ana Dorothéia está na mira do secretário. “Em locais sem casas edificadas não tem porque as luzes ficarem acesas. É um desperdício”.
Além da redução na dívida, outro número que chamou a atenção nos dados da secretaria de Finanças foi o do superávit primário. Segundo Ananias, as receitas da prefeitura no primeiro quadrimestre somaram R$ 82,1 mi e as despesas fiscais ficaram em R$ 53,3 mi. O superávit, assim, ficou em R$ 28,7 mi. O pior desempenho ficou por conta do plano de previdência dos servidores públicos municipais, o Sassom. A arrecadação ficou em R$ 469,2 mil e as despesas chegaram a R$ 581,4. Ananias se mostrou surpreso com o rombo. “É uma situação que será acompanhada de perto. Não sabia que estava assim”.
Os vereadores não discutiram os números. Até porque apenas dois deles participaram da prestação de contas: Luís Carlos Fernandes (PDT), presidente da Comissão de Finanças e integrante da bancada governista, e o presidente da Casa, Marcelo Mambrini (PMN), que chegou atrasado na reunião (desculpou-se e disse ter vindo de outro compromisso) e deixou a sala mais cedo.
CONTESTAÇÃO
O ex-prefeito Gilmar Dominici (PT) contestou as declarações de Ananias e se irritou com a insistência do secretário em afirmar que a dívida deixada por Dominici era de R$ 149 milhões. “É fácil acusar. Mas ele não vê que peguei uma dívida de R$ 15 milhões do Ary Balieiro (atual vice-prefeito) corrigida pela Selic, a taxa mais alta do País. E não tínhamos recursos para pagar este valor, que foi aumentando com as correções. Não aumentei a dívida, tive de administrar a cidade, mesmo com a existência dela”, disse.
Dominici foi além: “No meu governo não faltava merenda nas escolas, como acontece agora. A gente tinha duas opções: manter os serviços essenciais, como fizemos, ou deixar tudo parado. Optamos pela primeira. Diferente do que faz o atual governo”.
Segundo o ex-secretário de Administração de Dominici, Osmar Parra, a dívida oficializada pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado), quando da transição de governo para Sidnei Rocha, era de R$ 118 milhões.
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