A história da escravidão se confunde com a da própria humanidade. Entretanto, nenhuma outra foi tão cruel como a escravidão dos negros. Seja pela sua duração, seja pela proporção social da mesma, até hoje se discutem os resultados da malfadada “abolição”.
Nos tempos antigos, eram dois os principais motivos que levavam uma pessoa à escravidão: quando devia a alguém e não podia pagar, o devedor se tornava servo de seu credor por determinado tempo, a fim de quitar a dívida. Quando esta era muito alta, o devedor se tornava escravo, uma vez que sua dívida correspondia em anos de trabalho em um número muito superior aos anos de vida. Quando se perdia uma batalha, se tornava escravo do vencedor, e isso acontecia com vários povos. Nos casos acima citados, a justificativa para a escravidão era o prejuízo que se causava a alguém ou resultado da derrota numa batalha. Mas o que justificou a escravidão dos negros? O nome de Deus!
A primeira coisa que foi feita foi a demonização da cultura negra. O culto afro foi transformado em coisa do demônio, a cor negra transformada em algo feio e asqueroso. Por isso, até hoje muitos negros se envergonham e sentem grande dificuldade em assumir sua negritude. Por outro lado, isso explica o preconceito, uma vez que ninguém nasce racista; a sociedade nos ensina a odiar o nosso semelhante ou até a nós mesmos apenas pela cor da pele.
Ora, uma vez que ser negro era ser adorador do demônio, ser feio e até subumano, não seria maldade lutar contra eles, matá-los, escravizá-los, tirar-lhes a liberdade. A fé em Deus passou a ser a principal justificativa para a escravidão.
Depois de tudo isso exposto, fica fácil compreender por que a tão falada “abolição” não passou de um grande engodo, que visava atender apenas aos interesses da burguesia. O negro ‘liberto’ não conseguia emprego porque era tido como feio, sujo e demoníaco.
Sem dinheiro, sem moradia, sem cidadania, sem “Deus”, o negro recém-liberto das fazendas se tornava escravo de sua condição social. E como a cultura passa de pai para filho, até hoje muitas empresas não se sentem à vontade para contratar um afrodescendente.
Assim sendo, não há nada a comemorar no 13 de maio, a não ser a nossa força, a nossa garra, a nossa coragem para lutar e principalmente a nossa capoeira, que se tornou esporte de playboy.
Nem que seja pela capoeira, que não é mais do demônio, que não é mais luta e dança das senzalas... Viva a cultura negra nas academias chiques... Enquanto isso, defendo o Orgulho Negro, sim Senhor!
J. ASSUNÇÃO é publicitário, bacharel em Teologia, coordenador regional do Movimento Evangélico Progressista, membro-fundador da Sociedade dos Poetas Menores e militante do Movimento Negro.
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