Tudo Proibido


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Quem estava acostumado a assistir grandiosos showmícios, com artistas consagrados ao lado de candidatos a cargos públicos, e com a distribuição de chaveiros, bonés, uniformes para times de futebol, camisetas e outros brindes durante as disputas eleitorais, vai estranhar a corrida pelos votos neste ano, a partir de julho. Tudo isso está proibido. Uma minirreforma eleitoral aprovada pelo Congresso limitará, e muito, as opções do marketing político. Agora, as campanhas deverão se tornar menos atrativas. Os políticos perderão o apoio de artistas e souvernirs e terão de conquistar o eleitor com suas próprias habilidades de comunicação e propostas concretas. “O eleitor, atualmente, é mais antenado. E a imprensa cumpre rigorosamente seu papel. Mesmo que um político desonesto não seja punido em Plenário, como temos verificado, será penalizado nas urnas”. O principal objetivo do senador Jorge Bornhausen (PFL-SC), autor do projeto de lei, era fazer que os gastos de campanha diminuíssem para que o caixa 2, ou seja, verbas utilizadas para pagar despesas de campanha e não declaradas ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral), deixem de existir. “Serão campanhas mais pobres, porém, honestas”, diz. Na última disputa pela Prefeitura de Franca, em 2004, os cinco candidatos gastaram R$ 957.575,08. Boa parte foi aplicada na contratação de artistas e propaganda e marketing dos prefeitáveis. De acordo com as declarações entregues ao TRE, quem mais gastou foi justamente o vencedor do pleito, Sidnei Rocha (PSDB), com R$ 321.832,16. Aproximadamente 40% deste valor foi utilizado em shows, brindes e outdoors. Gilson de Souza (PFL) gastou R$ 183.978,25, cerca de 31% com os itens agora proibidos. Ruy Pieri (PP) foi além: pelo menos 48% dos R$ 69.308,30 foram despendidos com os métodos de marketing abolidos pela minirreforma. DIVISÃO O ex-prefeito Gilmar Dominici (PT), que disputará uma vaga na Câmara Federal, aprovou as proibições e disse que a disputa, a partir de agora, acontecerá com mais igualdade. “Muitos candidatos, principalmente a deputado, gastam muito para tentar se eleger. Comemorei muito quando soube que as mudanças já valerão nessa eleição, pois a articulação, agora, será mais importante do que a parte financeira. Eu adorei”, disse Dominici. O médico Marco Aurélio Ubiali (PSB), também pré-candidato a deputado federal, ressaltou a economia que será feita nas campanhas e usou sua própria candidatura como referencial. “Gostei das mudanças, pois tenho poucos recursos para campanha. De agora em diante, o boca a boca vai ser fundamental. Isso me favorecerá, pois tenho muitas pessoas que propagam meu nome pela cidade e região”, disse Ubiali. Para o prefeito Sidnei Rocha, as proibições da minirreforma não devem impedir a utilização do caixa 2. “Isso pode melhorar, mas não vai resolver. Somente uma fiscalização intensiva impedirá as ações ilegais de candidatos”.

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