Quem precisa e gosta de ler jornais, sente-se como se estivesse diante de um prato: e é fácil verificar a natureza das surpresas do noticiário. Lula se encarrega de manter acesa a curiosidade nesta fase delicada das preocupações eleitorais.
Inicialmente, é necessário registrar a diferença que se vem ampliando entre os discursos dos dois candidatos à Presidência da República: Lula circula com uma desenvoltura incrível e de certa forma promove sua candidatura de duas maneiras: primeira, através dos programas na TV, onde, sob o pretexto de comentar seus “êxitos” administrativos, critica a oposição - em que se situam FHC e Alckmin - acusados de inoperância e incompetência.
Não há dúvida de que são assembléias numerosas, quer diante de palanques, quer assistindo aos minianúncios reiterados pela TV, seja por lembretes da bolsa-família, seja pelas palavras de Mercadante, Paulo Bernardes e outros.
Há um episódio muito significativo da propaganda de Lula no interior. Falando numa pequena cidade do Maranhão, Lula pôde até fazer uma autocrítica, dizendo: “Quando foi discutido o projeto da ferrovia Eletro-Norte, tive a oportunidade de criticar essa idéia, por julgá-la cara e desnecessária, lembrando outros problemas mais urgentes no País. Agora, porém, quero cumprimentar a obra planejada pelo senador Sarney, pela importância que ela passou a ter no desenvolvimento do Nordeste”. A solenidade, que contou com outros discursos, durou quatro horas, registra o “Estadão”, e foi seguida por farta distribuição de marmitas aos presentes. E não é preciso usar-se a conclusão subliminar da festa, a quatro meses do apelo às urnas.
Alckmin, candidato do PSDB, apressadamente lançado à disputa pela Presidência, dá a impressão de que se acha sozinho nesta época em que deveria começar a sacudir a opinião pública carente de esperanças e de medidas de desenvolvimento político. Agora, pelo menos, se sabe que o senador José Jorge vai ser vice.
Um outro aspecto a ser considerado: a euforia de Lula. No mesmo discurso feito por ocasião da visita ao Nordeste, Lula comentou a situação dos combustíveis nos vários caminhos de seu uso, comparando com estatísticas do Exterior. E fez um anúncio dos mais otimistas. O “Estadão” resumiu a fala: “O presidente afirmou ainda que a semana passada foi “cheia de alegrias e maravilhas” por causa das decisões do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e da Petrobras sobre o H-bio, um novo tipo de diesel produzido com óleos vegetais e que, em dois anos, o país vai produzir uma quantidade de gás natural igual à que importa da Bolívia”.
Em suma: a alta da Bolsa de Nova York só provocou um susto nos meios financeiros do Brasil. Mas Lula assegurou, com o otimismo de candidato esperto, que as finanças do País estão equilibradas...etc., etc... A paisagem jornalística seria essa, tranqüila, se o governo de Lembo não fosse intimado a dar os nomes das vítimas na briga Polícia vs Rebeldes...
ALFREDO PALERMO é professor, advogado, historiador, jornalista e escritor membro da Academia Ribeirão-Pretana de Letras e da Academia Francana de Letras. Colabora com o jornal Comércio da Franca há mais de 60 anos.
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